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Alexander Pilis
Artistas
ARCHITECTURE PARALLAX: APPEAR – DISAPPEAR [Arquitetura Paralaxe: Aparecer – Desaparecer], 2008. Montagem de imagem. A4 – 300 dpi.

ARCHITECTURE PARALLAX: APPEAR – DISAPPEAR [Arquitetura Paralaxe: Aparecer – Desaparecer], 2008. Montagem de imagem. A4 – 300 dpi. 

BIOGRAFIA

Alexander Pilis nasceu no Rio de Janeiro, Brasil, 1954. Vive em Barcelona 2007 Musée d'Art de Joliette, Quebeque, Canadá 2006 Pinacoteca do Estado de São Paulo; Centro Cultural Koldo Mitxelena, San Sebastian, Espanha; Peak Gallery, Toronto, Canadá 2003 Fundació Antoni Tapies, Barcelona 2002 25ª Bienal de São Paulo Bibliografia Selecionada Architecture Parallax: The Blind Architect, lulu.com, 2008; São Paulo: The Memory of Disruption, Documents, São Paulo, Pinacoteca do Estado de São Paulo, 2006; Informal Architecture, Banff, 2005.
ENTREVISTA

Justo Pastor Mellado: Estou pensando em um desdobramento analítico do conceito de paralaxe. Marti Perán destaca, em sua obra, que a paralaxe é a única ferramenta a enfrentar o que você denomina “colapso visual”. Com relação à Bienal de São Paulo, me pergunto se não seria possível imaginar a paralaxe como uma ferramenta ou, então, como um recurso para registrar e medir as contradições do sistema da arte brasileira no sentido de que permite a produção de transparência com base em seu posicionamento sintomático de “colapso institucional”. A credibilidade do projeto moderno, representada pelo fisicalismo ao prédio de Oscar Niemeyer, foi posta em dúvida por certo tipo de prática artística que seria irredutível ao modelo de exibição que sustenta. O colapso institucional estaria relacionado à impossibilidade “óptica e política” da Bienal como recurso para a refração social e para deixar claro o tipo de arte que nossos dias exigem.

Alexander Pilis: Concordo, mas nem sempre. A paralaxe depende do ponto de vista.

Minha pesquisa se volta a Niemeyer com freqüência. Como pesquisa pura, não terá fim. Como pesquisa aplicada, há resultados específicos, como projetos visuais e textos. No entanto, não é minha intenção demonizar nem Niemeyer, nem seu trabalho. E, muito embora seu trabalho e sua visão tenham tido profundo impacto no Brasil, e sejam reconhecidos internacionalmente, são apenas um aspecto do que poderíamos chamar projeto moderno.

A paralaxe é minha metodologia de pesquisa para este e outros aspectos dos ambientes construídos na época em que vivemos. Pode assumir muitas dimensões – a social, a política, a estrutural e a teórica.

“Paralaxe, substantivo. Aparente deslocamento, ou diferença na posição aparente, de um objeto, causada por uma mudança (ou diferença) real do ponto de observação.” – Oxford English Dictionary.

Não posso falar por outros artistas no Brasil ou em qualquer outro lugar no mundo onde eu tenha morado e trabalhado. Todos fazemos escolhas com relação a quando e onde expor. E isso deve incluir os milhares que expuseram no pavilhão de Niemeyer ao longo de sua história sem abrir mão de seus princípios. Pode-se dizer o mesmo sobre os artistas que expõem na Tate Modern. Eles questionam a história e a política do prédio ou o programa dos atuais ocupantes?

Para mim, a transparência e o tipo de arte que faço estão incorporados em minha obra – um processo em colaboração com colegas, estudantes e público. Imbuído desse espírito, é importante não cair na retórica. Agora, depois de quase 30 anos de trabalho, posso dizer que o projeto é a vida.

NA DIREÇÃO DA PARALAXE DA ARQUITETURA
Instintivamente, eu sabia que não se pode desenvolver uma pesquisa através das lentes da modernidade sem vomitar um modelo clássico de pensamento da Europa Ocidental com relação a projeção, distância, movimento e reflexão. O paradoxo moderno – um argumento de oposição ao que precedeu – se tornou irrelevante às condições existentes, a como esta megalópole – São Paulo, como um exemplo – se desenvolveu em pouco tempo e se transformou. Eu tinha de vislumbrar outra práxis de trabalho – um instrumento. O teorema da Paralaxe se transformou no instrumento e na metodologia.

Aqui um indivíduo pode ter mobilidade entre os vários níveis – na direção vertical, horizontal ou oblíqua – como se um anarquista, ou mesmo um corpo tivesse desaparecido. Esta metrópole desapareceu e apareceu várias vezes na sua história de construção, e desafia qualquer ordem central ou estabelecida do contínuo, do mapa histórico de construção urbana.

Não existe passado e nem futuro, e me esqueci do presente.


Justo Pastor Mellado é critico de arte e curador independente. Reside em Santiago.
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