BIOGRAFIA
Allan McCollum nasceu em Los Angeles, EUA, 1944. Vive em Nova York
1999 Allan McCollum, Le Musée d'Art Moderne de Lille Métropole, Villeneuve d’Ascq, França;
The Museum as Muse: Artists Reflect, The Museum of Modern Art, Nova York
1995-96 Allan McCollum: Natural Copies, Sprengel Museum, Hanover, Alemanha
1989 A Forest of Signs: Art in the Crisis of Representation, The Museum of Contemporary Art, Los Angeles;
Allan McCollum, Stedelijk Van Abbemuseum, Eindhoven, Holanda; Serpentine Gallery, Londres; Instituto Valenciano de Arte Moderno – IVAM, Valência; e Rooseum Center for Contemporary Art, Malmö, Suécia
1988 43. Biennale di Venezia
Bibliografia Selecionada COOKE, Lynne; KLEIN-ESSINK, Selma; & RORIMER, Anne,
Allan McCollum (cat.), Stedelijk Van Abbemuseum, Eindhoven; Serpentine Gallery, Londres & Instituto Valenciano de Arte Moderno – IVAM, Valência, 1989; LAWSON, Thomas & BARTMAN, Willian (ed.),
Allan McCollum: Interview by Thomas Lawson, Los Angeles, A.R.T. Press, 1996; OWENS, Craig, "Allan McCollum: Repetition and Difference” IN:
Beyond Recognition: Representation, Power, and Culture, Berkeley, Los Angeles, Oxford: University of California Press, 1992. pp. 117-121.
ENTREVISTA
Lilian Tone: Assim como em toda sua obra 1.800 Drawings [1.800 desenhos] evoca simultaneamente a singularidade e a mesmice, paradoxalmente utilizando-se da produção em massa como ferramenta de expressão. Você poderia descrever o seu processo de produção?
Allan McCollum: Criei para
Drawings um sistema que me permitiu produzir uma quantidade potencialmente infinita de “formas” únicas e emblemáticas – todas diferentes entre si. Desenhei três “curvas” a mão – eu não tinha computador naquela época – e, em seguida, algumas variações e distorções dessas curvas, para depois começar a combiná-las e criar um vocabulário que funcionaria como as partes “superiores” e outro vocabulário que funcionaria como as partes “inferiores”. Assim que desenhei algumas centenas de partes superiores e inferiores, fui a uma fábrica que corta moldes em plástico, ou em estêncil, do tipo usado pelos arquitetos e projetistas para traçar curvas em seus diagramas técnicos. Hoje, os computadores fazem esse tipo de coisa, mas isso foi em 1988, e moldes plásticos eram a norma. Cortei mais ou menos 200, uma fração muito pequena das possibilidades, e identifiquei numericamente cada uma, organizando-as de tal forma a me permitir fazer
Drawings em nove tamanhos diferentes. O próximo passo foi criar uma série de cadernos e montar um protocolo específico para combinar os moldes de forma que nunca se repetissem. Em seguida, contratei muitos assistentes e alunos, que seguiram o protocolo e usaram os moldes para combinar as partes superiores e inferiores, fazer seu contorno em papel-cartão grosso [museum board], e preencher o espaço a mão, com lápis grafite. Depois de assinar e numerar cada desenho, eles foram emoldurados.
Lilian Tone: Para além do caráter extremamente táctil e sedutor desses desenhos, sei também que, quando os fez, você tinha muito em mente as categorizações e hierarquias que usamos para escolher objetos em geral, e como estes objetos refletem a organização de nossa sociedade. Qual o valor simbólico desses 1.800 Drawings?
Allan McCollum: As pessoas passam a se considerar membros de um grupo comum através de inúmeras formas e por várias razões. Podem se reunir por idéias de nacionalidade ou religião; podem compartilhar interesses ou
hobbies comuns; pessoas de crenças opostas podem desenvolver um sentimento de união ao morar no mesmo prédio ou no mesmo bairro. Os próprios nomes de lugares podem atuar como um tipo de poesia que une as pessoas.
É um lindo processo em que se estabelecem nomes de família, de clãs, bairros, vilarejos, cidades, províncias, estados, territórios, países, nações, continentes e mundos. Interesso-me pelas maneiras como uma “imagem” pode convidar diferentes pessoas a se considerar membros de um grupo, como acontece com brasões de família, emblemas, logotipos, bandeiras, faixas e similares. Nós nos unimos por meio de imagens e símbolos tanto quanto por idéias.
Isso é maravilhoso. Porém, gostaria que houvesse mais maneiras de usarmos símbolos para nos identificar também como indivíduos. Sempre tentamos pertencer a um grupo maior que nós mesmos, e, ao mesmo tempo, queremos nos definir como totalmente diferentes dos outros. É um eterno paradoxo. Também utilizamos os mesmos símbolos que nos unem para nos separar uns dos outros. Será que não seria possível vislumbrarmos um conjunto de símbolos que pudesse, ao mesmo tempo, representar nossos sonhos de unidade e também nosso amor pela diversidade?
É uma idéia simples essa de se criar um sistema que gere uma “forma” emblemática e única para cada pessoa no planeta. É complicado, claro, e não prático. Mas como sempre pensamos em arte como o “sonho impossível”, achei que poderia tentar. Espero que esta instalação na 28ª Bienal de São Paulo possa me ajudar a imaginar um mundo maior do que normalmente imagino, e talvez ajudar as outras pessoas a fazer o mesmo.
Lilian Tone é curadora no Departamento de Pintura e Escultura do Museum of Modern Art em Nova York.