BIOGRAFIA
Cristina Lucas nasceu em Jaén, Espanha, 1973. Vive entre Madri & Países Baixos
2008 Cristina Lucas – Talk, Stedelijk Museum Schiedam, Países Baixos;
Cristina Lucas – Cain y las hijas de Eva, Galeria Juana de Aizpuru, Madri;
Eurasia. Geographic cross-overs in art, Museo d'Arte Moderna e Contemporanea di Trento e Rovereto – MART, Itália;
The Furios Gaze, Centro Cultural Montehermoso, Vitoria-Gasteiz, Espanha
2007 10th Istanbul Biennial
2004 Cristina Lucas, Fundación Ars Teor Etica, San José, Costa Rica
Bibliografia Selecionada MEDINA, Cuauhtémoc,
Zero Killed (cat.), México, Centro Cultural de España, 2004; RUBIRA, Sergio,
TESTIGOS/WITNESSES (cat.), Charta, NMAC Foundation, Vejer de La Frontera, 2006; SÜTÖ, Wilma,
Talk (cat.), Roterdã, Stedelijk Schiedam, 2008.
ENTREVISTA
Cristiana Tejo: Leonilson, um artista brasileiro muito importante que faleceu na década de 1990, tem uma obra intitulada Leo não consegue mudar o mundo (1989). Você fez a mesma afirmação em uma entrevista certa vez: o artista não pode mudar o mundo. No entanto, seu trabalho está muito comprometido com questões importantes da política e da economia contemporâneas e com serenidade dirige o público para uma conscientização clara sobre a ética. Na sua opinião, qual o lugar da arte na sociedade contemporânea?
Cristina Lucas: A arte luta contra a falta de consciência e a estupidez generalizadas. Nietzsche definiu a filosofia como a luta contra a estupidez. Hoje, a arte contemporânea tem de operar em campos nos quais outras disciplinas fracassaram.
Cristiana Tejo: Pantone, a animação em duas dimensões que você vai apresentar na 28ª Bienal de São Paulo, segue a estratégia recorrente de seus trabalhos anteriores, ou seja, o recurso ao lúdico para comunicar o discurso do poder. Em uma sociedade vertiginosamente informacional e visual, seria a lucidez o meio mais eficiente para desvendar realidades?
Cristina Lucas: É a mesma estratégia utilizada na escola quando o sistema nos insere na cultura dominante. Distorcer aquela linguagem para narrar alguma coisa de um jeito um pouco diferente é uma forte transgressão. Neste caso, as mudanças são muito amplas, muito grandes e muito brutais, e sabemos alguma coisa a respeito de outras épocas. Estou pensando na Segunda Guerra Mundial, por exemplo, com um intervalo de tempo de apenas cinco segundos, mas a mídia insiste nesse período com intenções veladas de propaganda.
Cristiana Tejo: A obra exposta nesta Bienal mostra mapas apenas com cores, sem nomes, que representam as mudanças políticas no mundo de 500 a.C. até 2007. Você poderia falar um pouco sobre Pantone de modo a criar um contexto para o público brasileiro?
Cristina Lucas: Realmente acredito em públicos específicos.
Pantone se baseia em fronteiras, em linhas divisórias e mapas dos últimos 2500 anos. Qualquer pessoa que consiga reconhecer um mapa como um acordo coletivo irá entendê-lo. O que está por trás desta obra – e temos de estar alertas para isso – é, de novo, o fato que as mudanças políticas, em geral, são feitas por meio de confrontos violentos e legados patrimoniais. Devemos enfrentar esses processos sanguinários para aprendermos com eles e para termos atitudes diferentes no futuro. Iniciei
Pantone em 2005 com o padrão daquele ano e retrocedi no tempo, passo a passo, recuperando informações até o ponto em que as culturas se restringiam a cada continente. Assim, descobri que em 500 a.C. as culturas existentes eram, nas Américas, a olmeca e a chavin; na Europa, a grega e a etrusca; na África, a de Cartago, Axum e Kush; e, na Ásia, o Império Persa, a cultura hindu e as dinastias chinesas (e, entre elas, a dinastia Han, que é a mais importante). Consultei várias fontes para obter as informações mais corretas, porém dei maior atenção aos dados oficiais. Por exemplo, reconstruí a África basicamente por meio da
Encyclopedia Britannica, e as Américas, com pesquisas no Real Archivo de Indias, e também tenho utilizado atlas políticos da Universidade Complutense de Madri e da Universidade de Amsterdã, com orientação de diversos historiadores. Mas, mesmo quando tento alcançar a maior precisão possível, a principal razão para criar esta animação somente com cores, sem fazer uso de nomes, é fornecer outro ponto de vista estético quando assistirmos ao vídeo sobre nação e identidade.
Cristiana Tejo: Quais são suas expectativas para esta edição da Bienal de São Paulo, cujo objetivo é repensar o modelo e o papel das bienais?
Cristina Lucas: A Bienal de São Paulo é uma das mais antigas em um país jovem e dinâmico. O Brasil, um país localizado no Novo Mundo, com uma sociedade que tem um conhecimento fantástico de história e tradição, parece-me o lugar perfeito para refletirmos sobre as verdades “estabelecidas”.
Cristiana Tejo é curadora independente e diretora do Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (MAMAM), no Recife, desde janeiro de 2007.