BIOGRAFIA
Eija-Liisa Ahtila nasceu em Hämeenlinna, Finlândia, 1959. Vive em Helsinque
2008 Eija-Liisa Ahtila, K21 Kunstsammlung, Düsseldorf;
Eija-Liisa Ahtila, Jeu de Paume, Paris
2005 51. Biennale di Venezia;
Ecstasy, The Museum of Contemporary Art, Los Angeles
2002 Real Characters, Invented Worlds, Tate Modern, Londres; Documenta 11
Bibliografia Selecionada BAL, Mieke,
World Rush_4 (cat.), Melbourne, National Gallery of Victoria, 2003; BONNEFOY, Françoise & BONNEVIE, Claire (eds.),
Eija-Liisa Ahtila (cat.), Jeu de Paume, Paris, Hazan, 2008; DURAND, Régis, “Eija-Liisa Ahtila les morts, la mort, l’espace, le temps”,
Artpress, no. 342, fevereiro, 2008, pp. 24-30.
ENTREVISTA
Lilian Tone: As duas instalações de múltiplos canais que você expõe agora – The House [A casa] (2002) e The Hour of Prayer [O momento da oração] (2005) – estão entre suas obras mais celebradas e mais conhecidas.
Eija-Liisa Ahtila:
The House é provavelmente minha obra mais conhecida até agora. É uma instalação com três projeções e também o último dos cinco episódios de um filme com o título
Love is a Treasure [O amor é um tesouro]. Conta a história de uma mulher que é acometida por psicose. Ela começa a ouvir vozes, o que interfere em sua percepção do mundo, e gradualmente desintegra o tempo e o espaço ao seu redor. Ela apaga todas as imagens cobrindo as janelas para estar em um espaço onde estão os sons. Utilizei diferentes efeitos especiais nesta obra para representar o avanço de sua doença e o colapso da ordem habitual em sua vida. Tentei dispor cenários realistas e lógicos lado a lado com cenários desconhecidos e imaginários.
A história se baseia em entrevistas e conversas com mulheres que foram acometidas de psicose. O material foi desenvolvido por meio de idéias sobre a perda do tempo linear e o desaparecimento da experiência de um espaço completo. Eu queria explorar a fragmentação de um mundo coerente, o colapso da lógica da percepção e a perda de sentido da passagem do tempo.
Casas e outros espaços estruturados têm sido temas centrais em minha obra. Para mim, a casa é a definição de um espaço com uma estrutura – um espaço emoldurado e organizado. E um espaço é o cenário para palavras – que estão relacionadas a distâncias – e tudo isso tem a ver com a morte e com a criação de significados.
Lilian Tone: Você poderia falar sobre a importância de The Hour of Prayer no contexto da sua obra?
Eija-Liisa Ahtila:
The Hour of Prayer é um pequeno conto sobre sentimentos de apego e morte, e é baseado na minha própria vida. Conta a história da morte entrando em uma casa, e do processo de se ter de lidar com o sofrimento. Esses eventos começaram em Nova York durante uma tempestade de inverno em janeiro, e terminaram em Benin, na África Ocidental, onze meses depois. São quatro projeções simultâneas. A intenção foi explorar as possibilidades de desintegração da lógica causal tradicional, assim como a estrutura e o espaço para a percepção na narrativa da tela, e ao mesmo tempo ainda acompanhar os eventos. A primeira parte reconta um conto clássico no qual palavras e eventos se explicam mutuamente e formam uma progressão temporal. À medida que o narrador relata, as palavras que se referem ao tempo são ressaltadas, e as imagens e sons registram as mudanças de estação em diferentes paisagens. Usei o material em vídeo gravado no momento dos eventos, além de cenas de situações reconstruídas. Um ator/narrador apresenta a história diretamente para a câmara em uma área escura coberta de areia – que se revela ser o cenário à medida que a história evolui. Termina com o ator caminhando pelos diferentes cenários cantando
Small Song [Pequena canção], de Lhasa, para os espectadores.
The Hour of Prayer é minha única obra autobiográfica até hoje. Não gosto de usar minha vida como fonte para meus trabalhos, pois esse modo de trabalhar não corresponde à minha idéia do que a arte deve ser ou fazer – o que, no mínimo, seria proporcionar um ponto de vista analítico. Esta obra se baseia em fatos que realmente aconteceram durante o ano de 2004. No final daquele ano, ao olhar para trás e ver os acontecimentos na minha vida, tudo parecia compor uma sucessão perfeita. Um evento levava a outro, como um colar de pérolas. Era como se fosse um texto de outra pessoa, o que me deixava atônita e fascinada. Uma cronologia perfeita de alguma forma sempre se justifica com base no absoluto: na sua presença a gravidade deixa de existir, e as coisas perdem seu significado habitual e suas coordenadas fixas.
Lilian Tone é curadora no Departamento de Pintura e Escultura do Museum of Modern Art em Nova York.