BIOGRAFIA
Erick Beltrán nasceu na Cidade do México, 1974. Vive em Barcelona
2008 Tolv/ Zeigarnik effect, Malmö Konsthall, Suécia;
Ours: Democracy in the age of branding, The Sheila C. Johnson Design Center, Nova York;
Scape Bienal Wandering Lines, Christchurch, Nova Zelândia;
Lucky number seven, Site Santa Fé, Novo México;
Sociéte Anonyme, Kadist Foundation, Paris
2007 Diagram, Tranzitdisplay, Praga, Rebública Tcheca
2005 Punchdrunk, Stedelijk Museum voor Actuele Kunst – SMAK, Gent, Bélgica
Bibliografia Selecionada ERICK, Beltrán,
Ergo Sum, Barcelona, Fundació Antoni Tapies, 2006; GARY, Carrión Murayari, "Production Anxiety",
Domus Magazine, # 915, junho, 2008, pp. 98-102; "Polemique autour",
Tribune de Lyon, setembro, 2007.
ENTREVISTA
Adriano Pedrosa: Que obra você vai expor na 28ª Bienal de São Paulo?
Erick Beltrán: Uma obra nova com o título
The World Explained [O mundo explicado] – uma enciclopédia de conhecimento não especializado. Trata-se de um conjunto de mapas, diagramas e descrições de explicações sobre como o mundo funciona do ponto de vista de não especialistas. Acredito haver uma necessidade universal de criar elos entre as idéias. Nosso comportamento depende das estruturas pessoais, cuja essência explica o mundo; assim, quando confrontados com a falta de informação para atingir este objetivo, forçamos e distorcemos este material para termos a sensação de coerência. Este arquivo reunirá as respostas e os depoimentos de perguntas do dia-a-dia para as quais as pessoas não dispõem de dados precisos, apenas conjecturas e teorias inventadas. Como se decide uma guerra? De onde vem a cola? Como o índice NASDAQ interfere na economia interna dos países? De onde vem o tomate da sua salada? O que é intuição? O que é uma nação? O que é greve? etc. Durante o Renascimento, as descobertas científicas, os achados estranhos e os artefatos peculiares foram reunidos sob um único rótulo – “Maravilhas”, e apresentados na forma de Wunderkammern, ou “Gabinetes de Curiosidades”. Desde a década de 1960, a idéia do arquivo histórico e de sua classificação tem sido desafiada pela micro-história, com uma abordagem da história baseada em perspectivas pessoais e específicas, e não em uma visão mais abrangente e uma abordagem totalitária. Quero utilizar estratégias da micro-história para criar um panorama que sobrepõe e cruza muitas “teorias pessoais” diferentes que colidem na esfera social e terminam, quando reunidas, por formar um tipo de gabinete.
Adriano Pedrosa: O que você acha deste contexto específico – de São Paulo, do Brasil, da Bienal, do conceito “em vivo contato” desta edição?
Erick Beltrán: Tenho nutrido interesse pelas relações entre o indivíduo e a sociedade há muito tempo. É uma zona específica em que se define a língua, geram-se os gestos sociais, criam-se códigos. É uma zona de negociações, de fricções, de vínculos. A minha obra para a Bienal inclui muitas entrevistas e perguntas que serão publicadas ao público ao vivo em uma gráfica aberta na tentativa de ampliar o processo tradicional da produção de conhecimento. Com seus contrastes e contradições, São Paulo é uma das linhas de frente para esse tipo de perguntas que fazem parte do nosso dia-a-dia.
Adriano Pedrosa: Como esta obra se relaciona com as anteriores?
Erick Beltrán: Minha obra é uma pesquisa a longo prazo, uma tentativa de definir um território – é como desenhar um mapa. Cada trabalho tenta conquistar a terra incógnita. Essa estratégia me força a mudar de um lugar para outro, a utilizar trabalhos anteriores como referência.
The World Explained se originou em
Ostwald ripening, um arquivo que tentava definir como as idéias se reúnem e como essa reunião se revela como uma estratégia de ação. Neste momento quero saber como podemos enganar o discurso, como podemos redirecionar nossas crenças para nossa conveniência, e como as diferentes cosmologias se fundem.
Adriano Pedrosa: Você esteve em muitas bienais e trienais ultimamente, além de São Paulo – Lyon, Santa Fé, Porto Alegre, Praga e San Juan. Esse formato de exposição tem sido questionado recentemente, por esta Bienal inclusive. Você acha que o formato ainda consegue produzir resultados ou encontros interessantes?
Erick Beltrán: Depende muito do contexto. Temos de observar a diferença entre dois modelos principais: a arte bienal em uma cidade do Primeiro Mundo com uma abordagem duvidosa para feiras e mercados de arte é diferente de uma bienal em uma possível fonte de produção e um ponto de encontro. Dependendo da situação, ainda existem diferentes planos e projetos a serem realizados. O problema é como ativar o quê e onde. As perguntas certas devem ser feitas no lugar certo e no momento certo. Chegar a um bom equilíbrio entre ambos é complicado e raro.
Adriano Pedrosa é curador e vive em São Paulo.