BIOGRAFIA
Fischerspooner foi criado por Warren Fischer & Casey Spooner. Baseado em Nova York
Performances 2004 25th Anniversary Gala, Museum of Contemporary Art Los Angeles
2003 Centre Pompidou, Paris
2002 Home of art collector, Miami; Top of the Pops, BBC, Londres; Royal Festival Hall; The Bridge, Londres; Deitch Projects, Nova York
Exposições 2003 Changing Roles Gallery, Nápoles, Itália.
ENTREVISTA
Lilian Tone: Quais são seus planos para a 28ª Bienal de São Paulo?
Fischerspooner: Apresentaremos uma performance que inclui música, dança, vídeo, efeitos especiais e luzes. A música e a performance foram criadas durante todas as fases de nossa carreira. Um show.
Lilian Tone: Além das diversas instâncias de colaborações que já fazem parte do Fischerspooner, esta é a primeira vez que vocês trabalham com outro grupo?
Fischerspooner: Casey Spooner vem trabalhando com o Wooster Group há cerca de dois anos como ator, e eu [Warren Fischer] compus uma parte da música para a montagem de
Hamlet que eles fizeram recentemente. Desse relacionamento começamos a conversar sobre a colaboração para uma obra. A conversa começou enquanto tomávamos um café e discutíamos fazer algo sobre ausência de peso e claustrofobia. Já estamos trabalhando juntos há mais ou menos sete meses neste novo projeto.
Lilian Tone: O Fischerspooner navega continuamente por múltiplos mundos culturais perpassando a música, a arte e a performance, entre a Arte e a cultura de massa.
Fischerspooner: Nosso projeto se baseia na idéia de tentar explorar a dinâmica entre a linguagem populista do entretenimento e a linguagem mais reflexiva da arte. Temos sempre nos empenhado em ocupar diversos espaços psicológicos… galerias de arte, apresentações de música
pop na tv, em casas particulares, instituições culturais, diferentes ramos do comércio e da indústria, festivais de música, shows com djs, desfiles de moda, parques de obras, etc. Sempre tendemos a nos afastar de um lugar definido para resistir à idéia de estarmos claramente em algum lugar. NÃO-show pop, NÃO-grupo de dança, NÃO-arte coletiva, NÃO-performance.
Essa é a tendência que informa este novo trabalho que estamos desenvolvendo com o Wooster Group –
Between Worlds [Entre mundos]. É a história de um ato de malabarismo artístico vista ao contrário do que significa ser norte-americano. Vamos usar alguns dos elementos desta nova criação em nossa performance em São Paulo.
O título da nossa próxima seleção de músicas é
Entertainment [Entretenimento]. Muitas delas comentam e são inspiradas no show business. Temos incorporado muitos textos-fonte diferentes no nosso trabalho com o Wooster Group (por exemplo, vídeos, livros, etc.). Eles incluem um documentário sobre o programa espacial dos Estados Unidos na década de 1960,
Roughing It, de Mark Twain,
Walden, de Thoreau,
Sun and Steel [Sol e aço], deYukio Mishima, e vídeos do teatro Nô japonês. Selecionamos cuidadosamente vários elementos e os colocamos em camadas sobrepostas para encontrar as relações temáticas entre eles e as músicas. De modo geral, há uma “americanidade” inerente. Caubóis, astronautas, espaço sideral, fronteiras, vaudevile, tv, cinema, etc. Estamos abrindo mão do nosso show tipicamente exagerado de dança e música e deixando o Wooster Group contaminar e desmantelar nossa abordagem habitual. Ficou claro que explorar esse tipo de integração de maneira completa exigiria muito mais tempo do que temos disponível neste momento; assim, estamos encontrando maneiras de extrair algumas partes dos nossos ensaios e integrá-las a um show mais tradicional. A variação dinâmica entre o teatro experimental e a música pop é muito interessante e inusitada. E esperamos forçar os limites em ambas as direções.
Lilian Tone: Alguma idéia/impressão sobre a cidade de São Paulo e sobre como os paulistanos vão receber Between Worlds?
Fischerspooner: Tivemos algumas experiências em São Paulo, e todas foram ótimas! No ano passado, participamos como djs na Parada Gay e mal acreditávamos na quantidade de pessoas em comemoração constante.
Adoro a idéia das escolas de samba, também, e espero visitar uma delas algum dia. Pelo que entendo, há uma combinação de estúdio de música, estúdio de dança, competição de estilo atlético, organização política, boate e centro comunitário. Um cenário autêntico “entre mundos”.
Lilian Tone é curadora no Departamento de Pintura e Escultura do Museum of Modern Art em Nova York.