BIOGRAFIA
Gabriel Sierra nasceu em San Juan Nepomuceno, Colômbia, 1975. Vive em Bogotá
2007 Sueño de casa propia, La Casa Encendida, Madri;
Habitat-Variations, Bâtiment de Art Contemporain – BAC, Genebra. Suíça;
Rehabilitación, La casa del Encuentro, Medellín, Colômbia
2006 Compuesto Verde (stepmothernature-series), Centre d’Art Contemporain de Brètigny, França
2005 Untitled, Temporary Intervention, Colette, Paris
2002 Todos Lloran Con Jabón En Los Ojo, mini-Mal, Bogotá.
ENTREVISTA
Ana Paula Cohen: Como você entende o convite da curadoria para desenvolver o espaço expositivo do terceiro andar da 28ª Bienal de São Paulo, considerando uma reflexão que já compartilhávamos, de propor um lugar mais acolhedor para a arte, que possa ser habitado pelas obras e pelo público?
Gabriel Sierra: Minha contribuição para a 28ª Bienal está em desenvolver uma série de estruturas que funcionem como continentes para estimular o público a se movimentar e a pensar de forma livre o espaço que configura a exposição. Trata-se de um espaço pensado e construído com a estreita colaboração de artistas e curadores. Formulamos o projeto como um território de possibilidades, uma estância temporal, um tabuleiro de jogos, em que o público é parte fundamental de sua configuração; como um lugar em que cabem as perguntas: “É possível escapar do museu enquanto ele está contido em uma exposição?” “É necessário escapar do museu para dar sentido à arte ou àquilo que ocorre em seu interior?” “A arte é dependente do espaço físico do museu, ou o contrário, de sua parte mental?” A arte é uma possibilidade de encontrar outro espaço para a arte?
Ana Paula Cohen: Qual seria, para você, a relação entre o espaço, os objetos inseridos em seu interior e o uso que se pode fazer dele? Como isso se dá na relação entre os suportes desenhados por você para o terceiro andar, o espaço existente e o público que irá percorrê-lo e usá-lo?
Gabriel Sierra: A arte não precisa da arquitetura nem dos museus para existir; ela precisa de redes e de tecidos sociais que suportem seus conteúdos, fazendo uso da lógica para construir um sistema de maneiras possíveis para dispor e mostrar arte. Também me pergunto de que e como são feitas essas redes. Quais são as redes que configuram a idéia da arte, que a fazem funcionar? São comunidades especializadas em produção e consumo, ou são os habitantes das cidades, o povo, os indivíduos que a vêem arte como espectadores? Nesta exposição, o espaço será abordado e confrontado não como uma separação de espaços fechados e neutros. A idéia de limite é exercida pela configuração de cada trabalho e de suas possibilidades de leitura.
Ana Paula Cohen: Em que sentido o sistema que você criou para o mobiliário do espaço expositivo pode ser chamado de modular, uma vez que sua presença é necessária para dar sentido a cada um dos casos?
Gabriel Sierra: Todas as estruturas e peças produzidas para a 28ª Bienal partem da idéia de arquétipos funcionais. É um conjunto de peças que repetem um padrão de medidas em busca de possibilidades construtivas, tanto específicas quanto gerais. Mais do que unidades que formam um sistema modular, são formatos para distribuir material em partes ou frações.
Ana Paula Cohen: Como você pensa a arquitetura em geral e as diferentes formas de habitá-la?
Gabriel Sierra: Para mim, o conceito de
habitat é relativo, depende de como cada um configura e modifica sua própria experiência no mundo. O problema da arquitetura é que ela não pode ser modificada diretamente por seus habitantes sem empregar grande quantidade de recursos; todo o debate é uma questão de representação e produção. A arquitetura, em geral, é um território limitado, não só no que se refere a seu aspecto físico, como também ao funcional. É projetada a partir da lógica institucional e produtiva, a partir do cumprimento de normas, o que faz com que os indivíduos percam a subjetividade e a capacidade de transformar o mundo com base em sua própria experiência. A arquitetura e o desenho estão centrados em uma única proposição que tenta infiltrar o contexto em busca de determinadas qualidades, a maioria associada a uma idéia de controle e poder, deixando de lado as necessidades importantes e menos transcendentais dos indivíduos. A modernidade trata da padronização do mundo material, das emoções e, por último, da forma de pensar das pessoas. Acho que a arquitetura deveria evoluir com a mesma lógica com que se desenvolvem as necessidades e expectativas daqueles que usam o espaço físico de uma construção.
Ana Paula Cohen é curadora independente, editora e crítica de arte. Atualmente, é curadora da 28a Bienal de São Paulo. Vive em São Paulo.