Iran do Espírito Santo
Artistas
SEM TÍTULO, 1999. Aço inoxidável. 8 x 3,6 x 1,8 cm. Coleção do artista. Cortesia: Galeria Fortes Vilaça, São Paulo.
(Everton Ballardin)
BIOGRAFIA
Iran do Espírito Santo nasceu em Mococa, Brasil, 1963. Vive em São Paulo
2007 Iran do Espírito Santo: Uma Visão Geral, Estação Pinacoteca, São Paulo; 52. Biennale di Venezia
2006 Transforming Cronologies: An Atlas of Drawings, Part One, The Museum of Modern Art – MoMA, Nova York
2005 InSite_05, Tijiuana, México & San Diego, EUA
2004 Galeria Fortes Vilaça, São Paulo;
Replacement, Sean Kelly Gallery, Nova York
Bibliografia Selecionada ARGUELES, Marisol,
Iran do Espírito Santo, México, Museo de Arte Carillo Gil, 2004; MESQUITA, Ivo & PEDROSA, Adriano (eds.),
F(R)ICCIONES, Madri, Nuevo Milenio/ Ministerio de Educación, Cultura y Deporte, 2002; TONE, Lilian, “Optimal Conditions of Visibility: Iran do Espírito Santo’s perfectly implausible works” IN:
Iran do Espírito Santo, Dublin, Irish Museum of Modern Art, 2006, pp.14-21.
ENTREVISTA
Monica de la Torre: O seu posicionamento está relacionado à sua resistência em abordar temas que envolvam uma moeda política? Estou pensando na sua obra Current/Recurrency [Moeda corrente/Recorrente] com moedas sem face e, portanto, sem valor financeiro.
Iran do Espírito Santo: Trabalho para preencher minhas necessidades, como reação a tudo o que está ao meu redor. Acho estranho quando um artista se especializa em um assunto. Compreendo as obsessões, mas não as especializações. Acredito que isso ocorra porque, para as instituições e para o mercado de arte, a arte tem de ser identificada facilmente. Acredito que meu trabalho resiste a isso. Trabalho em diferentes frentes o tempo todo.
Monica de la Torre: Você provavelmente tem de experimentar com muitos materiais até chegar ao efeito que pretende.
Iran do Espírito Santo: De certa forma, minha obra é muito experimental. Não parece ser, mas é.
Monica de la Torre: Houve um momento em que você se dedicou à pintura. Por que fez a transição da tela para a parede?
Iran do Espírito Santo: Tenho pouca experiência como pintor tradicional, mas sempre tive obsessão pelo desenho, desde criança. E sempre senti muita atração pelas paredes; então, na verdade, foi mais uma passagem das páginas para as paredes – e não foi consciente. Senti uma necessidade premente de expandir e gostei do potencial de uma imagem grande, presa ao seu entorno.
Monica de la Torre: Você mencionou ter realizado seu desejo de desenhar ao criar manualmente os efeitos de grãos de madeira nos seus painéis.
Iran do Espírito Santo: Sim. E também faço muitos esboços. Recentemente, tenho contado com pessoas para fazer uma parte do trabalho para mim, mas não quero, de forma alguma, perder o contato físico com minha arte.
Monica de la Torre: Você poderia falar um pouco sobre sua tendência ao construtivismo e não ao expressionismo?
Iran do Espírito Santo: Na verdade, tenho pensado muito sobre isso. Até o momento, cheguei à conclusão de que essa questão tem a ver com a personalidade de cada um. Para mim, o artista que tenta apenas se expressar pode facilmente cair no auto-envolvimento. Tento evitar qualquer tipo de narcisismo; talvez seja uma sublimação da minha parte. A expressividade pode levar ao narcisismo, e tenho uma reação muito forte às práticas narcisistas, pois simplesmente não consigo ver sentido nelas. Também evito essa coisa toda do corpo – a representação do corpo e obras que enfatizam as experiências sensoriais – porque virou modismo e acabou se tornando o símbolo da arte brasileira.
Trecho editado da entrevista publicada em
Review of Latin American Literature and Arts, nº 64, primavera de 2002.
Mónica de la Torre é escritora e vive em Nova York, onde ela é editora sênior da BOMB Magazine.
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