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Javier Peñafiel
Artistas
Páginas de AGENDA DO FIM DOS TEMPOS DRÁSTICOS, 2008. Livro. Publicado para a 28ª Bienal de São Paulo.

Páginas de AGENDA DO FIM DOS TEMPOS DRÁSTICOS, 2008. Livro. Publicado para a 28ª Bienal de São Paulo.  

Texto de AGENDA DO FIM DOS TEMPOS DRÁSTICOS, para conferência dramatizada, 28ª Bienal de São Paulo, 2008.

Texto de AGENDA DO FIM DOS TEMPOS DRÁSTICOS, para conferência dramatizada, 28ª Bienal de São Paulo, 2008.  

BIOGRAFIA

Javier Peñafiel nasceu em Zaragoza, Espanha, 1964. Vive em Barcelona 2007 Encuentro Internacional de Medellín 07, Colômbia 2006 Os acasos convenientes, Play Gallery, Berlim 1999 Maltrato, Sala Moncada, Fundación LaCaixa, Barcelona Bibliografia Selecionada COHEN, Ana Paula, Habla (cat.), Barcelona, Galería Joan Prats, 2004; MARTINEZ, Chus, “Naturalismo animado” IN: Palabra natal, Zaragoza, Gobierno de Aragón, 2004; OLVEIRA, Manuel, “El actor autor” IN: Proxecto Edición anuario 2007, Santiago de Compostela, Centro Galego de Arte contemporánea, 2008.
ENTREVISTA

Jaime Cerón: Vamos falar do papel do desenho dentro do projeto Vivir entre líneas [Viver entre linhas] e do seu trabalho de forma geral.

Javier Peñafiel: Vivir entre líneas é uma tentativa de realizar vídeos com desenhos e locutor. O desenho é parte de uma tentativa de reconstituir a oralidade, de confiar novamente na escuta como aquilo que seduz e afeta. Gosto de pensar que escrevo como se desenhasse e desenho escutando. Pensar que os desenhos são polifônicos traz uma bela ironia, porque um artista imita a voz de qualquer pessoa.

Em Dibujos para un teste de conversación [Desenhos para um teste de conversação] eu queria que as imagens fossem completadas pelos espectadores. Não me interessa desenhar como um método isolado, ou seja, desenhar pelo e para o desenho em si; por isso, a soma dos desenhos me parece um bom cenário para a comunidade. Nos últimos vídeos e conferências dramatizadas sempre aparece no fundo, projetada, uma animação que permite falar sobre os desenhos em uma festa de empatias.

Jaime Cerón: Como as conferências dramatizadas se relacionam com os desenhos, a oralidade e a polifonia?

Javier Peñafiel: Utilizo o formato de uma conferência dramatizada quando é necessário apresentar uma experiência que quase impossibilita uma exposição. Mera coincidencia, Agencia de intervención en la sentimentalidad ou Escritorio, archivo sonoro põem em cena processos deliberadamente lentos de trabalho, que para mim têm mais a ver com o fato editorial do que com a teatralidade e que se identificariam como uma mescla de locuções poéticas e exercícios de ressemantização de sucessos reais.

Jaime Cerón: Se “um artista imita a voz de qualquer pessoa”, que papel exerce o espectador quando entra na conversação?

Javier Peñafiel: A frase “Um artista imita a voz de qualquer pessoa” quer dizer que a atividade artística é extremamente porosa e, ao mesmo tempo, contém uma forte ironia sobre o melodrama do autor. Deseja-se que os espectadores completem os desenhos, só é preciso confiar e comprová-lo. E isso realmente acontece.

Jaime Cerón: Muitos artistas precisam conceber exposições em vez de peças singulares. As conferências dramatizadas equivalem a essa idéia para um artista que produza publicações ou livros como obras? Se essas “encenações editoriais” funcionam como uma plataforma de circulação alternativa para a exposição, carregam implícito o questionamento a esse formato?

Javier Peñafiel: Para mim é muito importante ficar claro que, quando trabalho, atuo como um editor (em Mera coincidencia decidi me apresentar como anfitrião) e não como um diretor. Estou mais interessado em editar cenas, assim como em levar em conta as possibilidades dos numerosos dispositivos editoriais. Estabelecer intercâmbios com o designer, conversar com o curador e com a instituição que recebe o projeto está entre as coisas que fazem a textura de minhas preocupações ser mais editorial que teatral. Nesse sentido, pode-se estabelecer o paralelismo com o conceito de exibição ampliada. É verdade que me decepciono com o modo de exibição, mas não sei definir com clareza esse sentimento. Assim como outros, acho que o processo de exibição-exposição deve ser ampliado por um processo de edição anterior e posterior a ela. Tudo está bastante presente no trabalho em São Paulo. Uma exposição tem um tempo morto, de perfil necrófilo, que se torna bastante anacrônico com relação aos tempos tão alterados da atividade artística em sua proliferação de metodologias, produtividade, destinatários etc.

Jaime Cerón: Seria possível denominar, de alguma maneira, o tempo envolvido em Vivir entre líneas?

Javier Peñafiel: Vivir entre líneas está envolvido – e essa é a palavra exata – com os tempos entre espaços e cidadãos e suas transformações. Em São Paulo, decidi classificar todos os dias por tipos: dia plural, dia próprio, dia comum, dia impróprio e dia similar, aplicando uma espécie de ficção-ilusão (tipológica).


Jaime Cerón é professor universitário, crítico de arte e curador independente. Vive e trabalha em Bogotá.

PROJETOS - 28ª BIENAL DE SÃO PAULO

Conteúdo atualizado Projetos com conteúdo atualizado

Agenda do fim dos tempos drásticos
2008 , Exposição - 3º Andar
Vivir entre líneas (las respuestas difíciles)
2006 , Performances - 3º Andar

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CONTEÚDOS RELACIONADOS

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