BIOGRAFIA
Joan Jonas nasceu em Nova York, EUA, 1936. Vive em Nova York
2008 In Transit 08, Performing Arts Festival, House of World Cultures, Berlim
2007 WACK! Art and the Feminist Revolution, Museum of Contemporary Art, Los Angeles at the Geffen Contemporary, EUA
2006 The Power of Women, Galleria Civica di Arte Contemporanea, Trento, Itália
2005 Joan Jonas: Survey 1968-2005, Le Plateau e Jeu de Paume/Hotel de Sully, Paris;
After the Act, Museum Moderner Kunst Stiftung Ludwig, Viena.
ENTREVISTA
Joshua Decter: Como evoluiu essa obra que você descreve como “uma performance site-specific em vídeo” para o Dia:Beacon?
Joan Jonas: Eu visitei o Dia:Beacon antes da reforma e gravei um vídeo com imagens da imensa fábrica e de suas colunas. Mais tarde, esse seria o pano de fundo para uma cena no mesmo espaço. Na primavera de 2005, voltei ao local e escolhi onde posicionar o público e as telas de projeção de vídeo correspondentes. Porém, no inverno de 2004, comecei a trabalhar em um
script baseado nas anotações de uma palestra de Aby Warburg sobre sua experiência nos rituais das aldeias Pueblo no sudoeste dos Estados Unidos – assim como suas impressões – no final do século xix. Fui para o Arizona e o Novo México, e fiquei na Reserva Hopi no Arizona. Em seguida, editei uma instalação de vídeo de seis canais que foi apresentada na Renaissance Society em Chicago, na primavera de 2004. Durante um período de residência na Fundação Getty, na primavera de 2005, continuei minha pesquisa, desta vez gravando paisagens do sul da Califórnia. Gravei, também, cenas nos bosques e nas praias de Nova Escócia. Esses elementos foram depois editados em uma série de panos de fundo para o
script e para a estrutura espacial do Dia:Beacon.
Joshua Decter: Em termos conceituais e experimentais, você poderia refletir sobre os tipos de deslocamentos espaciais, temporais e auditivos que ocorreram durante o evento ao vivo?
Joan Jonas: Trabalho no espaço entre a instalação e a performance. O local da performance é, também, uma instalação. A percepção do som e da imagem em um espaço específico é minha principal preocupação. No Dia, a movimentação e as mudanças nas telas de projeção pareciam encolher e expandir o longo corredor de ação. Em uma performance ao vivo, o tempo permite que os olhos se movam do vídeo à ação ao vivo, e ao espaço propriamente dito. O tempo é meu material.
Joshua Decter: Esse trabalho foi rearticulado subseqüentemente como uma instalação de vídeo com múltiplos canais no contexto da Galeria Yvon Lambert, em Nova York…
Joan Jonas: Na instalação da Yvon Lambert, a obra é desconstruída e reformulada. O público caminha pelo espaço da obra. A visão não é frontal. De todos os panos de fundo, selecionei cinco que foram editados para representar uma possível perspectiva das idéias contidas na obra. Estruturas e móveis também fazem parte – uma
assemblage de objetos usados para o corpo. O som da instalação era a trilha sonora da performance executada em versão editada.
Joshua Decter: Você poderia falar sobre o papel da narrativa em sua obra – a maneira pela qual o relato histórico da experiência de Warburg influenciou simbolicamente sua própria exploração da região sudoeste dos Estados Unidos?
Joan Jonas: Interesso-me por histórias que sugerem cenários da paisagem contemporânea, e a memória tem sempre desempenhado seu papel nessas obras. Em meados da década de 1960, eu viajei para o Arizona para assistir à Dança da Cobra dos Hopi sobre as mesetas da Reserva Hopi. Foi uma experiência profunda e comovente. Nunca fiz referência a esse fato na minha obra por respeito aos Hopi. O livro que encontrei sobre Warburg fazia referência às suas anotações da década de 1930 para uma conferência ministrada a um grupo de médicos em um sanatório da Suíça para ilustrar sua recuperação de um colapso nervoso. Fui imediatamente cativada por suas idéias e me lembrei de minha própria experiência. Voltei a tudo isso indiretamente com o texto de Warburg, considerando suas idéias sobre a perda do espaço contemplativo em relação à tecnologia, ao mesmo tempo em que represento minhas próprias percepções sobre a história e o presente. O espaço do Dia:Beacon transformou-se no sanatório da Suíça, e o ator Jose Blondet se dirige aos seus médicos, ao seu público e a nós.
Joshua Decter é curador, crítico e historiador da arte. É diretor do programa de graduação de estudos públicos de arte da University of Southern California em Los Angeles. Vive em Los Angeles e Nova York.