BIOGRAFIA
Joe Sheehan nasceu em Nelson, Nova Zelândia. Vive em Auckland
2008 Draw Solace, Tim Melville Gallery, Auckland, Nova Zelândia
2007 Coming Soon, Tim Melville Gallery, Auckland
2006 Clean Green, FHE Galleries, Auckland
2005 Limelight, Objectspace, Auckland
2004 Stonedog, Avid, Wellington, Nova Zelândia
2002 Greenstone, Avid, Wellington
Bibliografia Selecionada RIGBY, Brennan,
Joe Sheehan – Limelight (cat.), Auckland, Objectspace Publishing, 2005; SORZANO, Rigel, “New Millennium Maths”,
Object, v.50, agosto, 2006, pp. 38-41; ARMSTRONG, Kathy & BORRELL, Nigel,
Te Tataitanga/ Bind Together: Contemporary Art of New Zealand (cat), Southwest School of Art and Craft, San Antonio Texas, Southwest School Press, 2008.
ENTREVISTA
Santiago García Navarro: Como a prática ancestral da escultura em pedra se relaciona à crítica ao consumismo contemporâneo em algumas de suas obras?
Joe Sheehan: Durante muito tempo trabalhei em lojas de artigos para turistas, esculpindo pequenas peças em jade para que os visitantes pudessem levar para casa um pedaço da Nova Zelândia como lembrança. (A escultura em jade é uma atividade muito importante na Nova Zelândia como herança da fantástica forma de arte desenvolvida pelos maoris.) Depois de algum tempo, compreendi que esse cenário comercial seria um enorme fator limitante se pretendesse que meu trabalho contasse novas histórias. Percebi que estava diante de um problema, pois ao mesmo tempo que esse material abarcava significado cultural e político, o turismo o mantinha numa espécie de viés histórico romântico. Vi, então, a força imensa em trabalhar com essa bagagem e redistribuí-la para que o ato de entalhar pudesse ter ainda mais força e mais importância como forma de arte novamente. Há, também, uma ironia fantástica em contar histórias modernas com técnica antiga. A dominação comercial trouxe problemas com a globalização e a redução dos recursos. A escassez do jade se intensificou muito nos últimos dez anos. Essas mudanças me interessaram e me inspiraram a criar obras como
Non-Rechargeable [Não-recarregável] e
Everybody’s Keys [As chaves de todos], que são uma crítica à auto-imagem nacional como super-clean e de preocupados com o meio ambiente. Em geral, esse é o primeiro passo quando fazemos marketing pessoal no exterior (
The Lord of the Rings [O Senhor dos Anéis]? A Terra Média nunca foi tão interessante!). A verdade é que, em geral, nossas atitudes são tão comprometedoras quanto as do resto do mundo com relação ao consumo e ao impacto sobre nosso meio ambiente natural.
Santiago García Navarro: Em Daily Bread [O pão de cada dia] e Spending Time [Passando o tempo], os títulos das músicas são, na verdade, fragmentos de frases de um diário pessoal, não são? Mas acabamos não ouvindo nada. Que tipo de “música” ouvimos nessas “canções”?
Joe Sheehan: São fragmentos, sim. As anotações do meu diário são os títulos das faixas do disco e as anotações na capa. Os títulos das faixas são como sinalizadores do significado das músicas e meus títulos também são assim. São gravações da minha mente durante uma tentativa de quietude, na verdade. Tentei algumas abordagens diferentes para essa tarefa, e em
Daily Bread, por exemplo, tenho uma estrutura simples de um disco de 45 rotações como forma, uma broca de 3 mm como ferramenta, e a cobertura de toda a superfície como meu objetivo. Então acontece o processo de deixar acontecer. Não tinha nenhuma expectativa de como ficaria e sempre me dava conta de que minha mente havia se deslocado das anotações feitas para a obra que eu tinha imaginado. Ao final, fiz uma lista dos eventos e das turbulências que ocorreram durante o processo de criação, que sinaliza a luta em se manter no momento. O próprio disco de jade foi completamente transformado por esse processo. De denso e negro, ele se tornou claro e translúcido; de duro, frágil. O padrão seguido pela broca criou um efeito visual dinâmico e mutável que me agradou. Essas peças são um reflexo do que acontecia na minha mente e no meu corpo, são registros da alma.
Santiago García Navarro: O povo Maori não concebe as pessoas, o artesanato, a arte e o design separadamente, mas vivenciados como parte integral da vida. Essa visão dos maoris tem alguma influência sobre sua obra?
Joe Sheehan: Acredito que o equilíbrio entre artesanato, arte e design que vemos nos artefatos antigos dos maoris seja diferente se comparado ao que vemos entre idéias e técnica nos bons artefatos contemporâneos. Recentemente ouvi a seguinte descrição das diferenças: “A arte contemporânea fala
sobre o universo, enquanto a antiga arte maori fala
com o universo”. Muito embora seja uma generalização um tanto ampla demais, acredito que seja também verdade no que se refere a mim, pois minha obra se baseia na prática da arte européia contemporânea tanto quanto na tradição dos maoris. Sempre entendi a prática da boa arte como o equilíbrio entre a mente, o coração e as mãos. É assim que tento trabalhar quando crio minhas obras.
Santiago García Navarro é escritor, tradutor e crítico de arte. Vive em Buenos Aires.