BIOGRAFIA
Leya Mira Brander nasceu em São Paulo, 1976. Vive em São Paulo
2008 Tudo que eu sei, Centro Universitário MariAntonia, São Paulo
2007 Casa del Encuentro, Medellín, Colômbia
2007 Formalities, International Artists Studio Program in Sweden – IASPIS, Estocolmo
2006 This is not a love song, Galeria Vermelho, São Paulo;
Próximo, Galeria Vermelho, São Paulo
2005 O Retrato como Imagem do Mundo, Museu de Arte Moderna de São Paulo – MAM-SP.
ENTREVISTA
Maria Lind: Uma das coisas que me intrigam em sua obra é o fato de você conseguir reavivar uma técnica antiga e um tanto “empoeirada” – a gravura em metal – e nos apresentar algo novo e original. Certamente não vi nenhuma outra obra semelhante, especialmente em bienais. Você pode falar sobre a importância da técnica?
Leya Mira Brander: Gravar é, para mim, uma luta contra o tempo. Meu envolvimento com a gravura começa no estágio do desenho na chapa e segue pela impressão, iluminação a fogo, preparação da chapa e oxidação, incluindo o trabalho diário do artista gravador. Gosto de desenhar sobre a chapa de cobre e de ver o relevo do desenho gravado. Uma gravura nova é sempre uma surpresa. As provas têm um caráter único, e o que mais me interessa são as possíveis relações entre as imagens. Tenho chapas produzidas desde 1997 que continuo imprimindo e relacionando a imagens recentes. Acredito que as imagens tenham uma espécie de poder. É como se uma imagem, pela sua proximidade, pudesse se transformar em outra imagem. Como as palavras em uma conversa. Como as notas musicais em uma partitura. Sinto-me como se estivesse em busca de algo que nem sei o que é, alguma experiência que nunca tive antes, e numa época em que as relações acontecem de outras formas, talvez como imagens de sonhos possíveis.
Maria Lind: Outra característica do seu trabalho é exatamente o uso do seu próprio “arquivo” de chapas, constantemente reciclando imagens em novos arranjos. Guardam semelhança com tirinhas, ou com fotos afixadas a um quadro, ou talvez sobre a porta de uma geladeira. De onde vêm os motivos de suas imagens, e como você cria as combinações?
Leya Mira Brander: Os motivos das minhas imagens vêm de diferentes lugares. Gosto de desenhar o que vejo e o que gostaria de ver. É difícil dizer de onde elas vêm, exatamente, mas sempre de algo que me interessa em determinado momento. Por exemplo, gosto de desenhar a anatomia do corpo humano, gosto de geometria, gosto de desenhar objetos, retratos e auto-retratos, paisagens. Quero escrever poemas e também misturar tudo isso. Para mim, a palavra escrita tem muita importância. Às vezes acho que as imagens vêm de lugares aonde as palavras não conseguem chegar.
Maria Lind: Você tem uma história de experimentação com o modo de expor gravuras. Por exemplo, conjuntos em paredes, em estantes ou em livretos feitos a mão, que às vezes incluem também as próprias chapas. O que você vai apresentar nesta Bienal de São Paulo e como seu trabalho vai ser instalado?
Leya Mira Brander: Vou apresentar gravuras produzidas desde 1997 até hoje. A idéia de combinar as gravuras surgiu em 1997, quando fiz uma gravura com 77 imagens diferentes, em 77 chapas diferentes. As placas mediam 3,5 cm x 3,5 cm. O plano era gravá-las em papel na forma de uma tabela periódica. Vou gravar uma tabela periódica nova para esta Bienal. Estou sempre pensando sobre aqueles elementos químicos e sobre a magia que acontece quando são colocados lado a lado. Há uma transformação. Então, decidi fazer minha própria tabela periódica, com meus próprios elementos. A minha primeira idéia foi gravá-los em muitas configurações diferentes. Fiquei fascinada pelo fato de as possibilidades de configuração serem infinitas. E isso ainda me fascina. Então, comecei a explorar os diferentes tamanhos das placas. Nesta Bienal, a instalação estará no terceiro andar e será apresentada sobre mesas com painéis de vidro. As pessoas poderão ocupar as cadeiras que estarão à disposição para observar a obra. O espaço foi concebido com Gabriel Sierra, outro artista que participa desta Bienal.
Maria Lind é curadora e diretora do programa de graduação do Center for Curatorial Studies, Bard College – Annandale-on-Hudson.