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Participantes
Los Super Elegantes
Artistas
FLA + FLU, 2006. Vídeo musical.

FLA + FLU, 2006. Vídeo musical. 

BIOGRAFIA

Los Super Elegantes foi criado em 1995 por Milena Muzquiz & Martiniano Lopez-Crozet. Baseado em Los Angeles 2008 Galeria Vermelho, São Paulo 2007 Playback, Musée d’Art moderne de la Ville de Paris 2006 Los Super Elegantes/ Mike Kelley/ Ann Magnuson, SASSA, Los Angeles Bibliografia Selecionada BUCHANAN, Kyle, “Los Super Elegantes”, The Advocate, 22 de abril, 2008, p. 42; LISSONI, Andrea, “Netmage”, Alias Supplement, Il Manifesto, 26 de janeiro, 2008, pp. 6-7; MARTINAZZOLI, Luca, “Per un Futuro Tropical-Noise”, Rolling Stone Italy, janeiro, 2008, p. 147.
ENTREVISTA

Luisa Duarte: O que vocês vão apresentar ao público na 28ª Bienal de São Paulo?

Martiniano: Vamos incluir na apresentação elementos teatrais, musicais e de filme. As personagens principais são Ivo Mesquita, Gisele Bündchen e a fabricante das sandálias Havaianas. Decidimos o enredo da peça depois de ler sobre a controvérsia subjacente à abordagem da curadoria da Bienal deste ano e de tomar conhecimento de um comentário no site frieze.com a respeito dos problemas fiscais que a Fundação Bienal de São Paulo está enfrentando. Fui reunindo informações de várias entrevistas com o Ivo e de artigos escritos sobre a posição da curadoria e achei que, independentemente de qualquer relação real entre a situação financeira e a ausência de obras de arte físicas, duas idéias principais me pareceram muito atraentes: a alegação de uma crise financeira de grandes proporções e a sugestão de um artista para que se realize uma auditoria na Fundação Bienal de São Paulo. A outra idéia, na qual baseamos o enredo da nossa performance, foi que exatamente em decorrência dessa crise financeira a Bienal foi forçada a redigir um manifesto que serviria para justificar o “vazio” e esclarecer todas as suspeitas de falência. Utilizamos esses dois fatos como base para a criação da nossa obra. O projeto ainda está em andamento.

Luisa Duarte: A descrição da obra planejada para a 28ª Bienal envolve tanto conteúdo crítico como humor e a irreverência do entretenimento. Na sua obra, há alguma preocupação em combinar essas esferas – em uma comunicação pop eloqüente e dinâmica – sem perder de vista uma voltagem crítica, quase irônica?

Milena: Nossa idéia para a Bienal é fazer uso da situação que a instituição enfrenta neste momento como pano de fundo de nossa peça, que é concept specific. Estamos planejando fazer a apresentação em português, pois será uma maneira de realmente nos integrarmos e incorporarmos nossas personagens, que são brasileiras, mas temos de aprender a língua antes do final de novembro. Method acting. Muito embora as pessoas tendam precipitadamente a considerar a ironia como uma constante no nosso trabalho, entendemos estar traduzindo o momento em que nos conectamos com o que está ao nosso redor. Nossas interpretações equivocadas ou imitações traduzidas podem, sem dúvida, acabar produzindo algum tipo de comédia, mas aqui comentamos como nós (as pessoas em geral) recebemos informações e por fim criamos julgamentos rigorosos e crenças definidas, por vezes até mesmo inventando realidades que são apenas o espelho de nós mesmos, e não da situação crítica que tentamos discutir. Estamos abertos a todas as possibilidades.

Martiniano: Nunca nos interessamos pela ironia como um recurso artístico, mas certamente cultivamos o absurdo e o humor que com freqüência vemos como resultado de esforços muito sérios. Cresci assistindo a esquetes de comédias sexy na tevê argentina, que eram ao mesmo tempo grotescos, políticos e irreverentes. Os comediantes, em geral, faziam uso da tensão criada pela desagregação que ocorre quando um ator esquece o texto, tenta improvisar uma falha, ou está bêbado demais para conseguir representar. Gosto de pensar em nossas performances como um todo, formado por camadas que são como gestos, momentos, um passo de dança, e também como que um script: não como crítica somente, e sim como uma pintura. Em termos de crítica – um elemento de nossa performance –, a cor de um painel suspenso no palco tem a mesma importância que qualquer outro aspecto em nossa obra.


Luisa Duarte é crítica de arte, curadora independente e professora do curso de Artes Visuais da Faculdade Santa Marcelina de São Paulo. Vive em São Paulo.

PROJETOS - 28ª BIENAL DE SÃO PAULO

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