BIOGRAFIA
Marina Abramovic nasceu em Belgrado, ex-Iugoslávia, 1946. Vive em Nova York
2007 WACK! Art and the Feminist Revolution, Museum of Contemporary Art, Los Angeles/ P.S.1 Contemporary Art Center, Nova York
2006 Balkan Epic, Art for the World Project, Pirelli, Milão
2005 Seven Easy Pieces, Solomon R. Guggenheim Museum, Nova York
2004 2004 Whitney Biennial
2002 The House with the Ocean View, Sean Kelly Gallery, Nova York
1997 47. Biennale di Venezia
Bibliografia Selecionada ABRAMOVIC, Marina; SPECTOR, N.; FISCHER-LICHTE, E. & UMATHUM, S.,
Marina Abramovic: 7 Easy Pieces, Kunstmuseum Bern; La Galleria, Valencia; Lonja del Pescado, Alicante; Moderna Galerija and Cankarev Dom, Ljubljana, Milão, Charta, 2007; ABRAMOVIC, Marina ; MCEVILLEY, Thomas & STOOS, Toni,
Abramovic, Artist Body, Milão, Ed. Charta, 1998; FÜRSTENBERG, Adelina von (ed.),
Marina Abramovic: Balkan Epic, Milão, Skira Editore/Hangar Bicocca, 2006.
ENTREVISTA
Lynne Cook: Como surgiu esta obra?
Marina Abramovic: Pensando em diferentes maneiras de atualizar material antigo e em como apresentar este material também de diferentes maneiras, descobri que havia muitas obras que tinham a ver com a minha cabeça. Ao editá-las, acabei chegando a uma versão moderna da Galeria de Retratos – exceto pelo fato de que, enquanto uma galeria de retratos tradicionalmente reúne um acervo de pinturas, a minha é eletrônica. A primeira vez que usei vídeo foi depois que deixei a Iugoslávia, com
Artist Must Be Beautiful [O artista deve ser belo] (1975), cujo foco é minha cabeça. Daí para a frente, de alguma forma sempre estive me concentrando em diferentes partes do meu corpo: estômago, braços ou pernas… Quando comecei a editar essas obras, descobri que mostravam uma versão da minha vida: não apenas do desenvolvimento de minhas performances mas também do envelhecimento da artista na trajetória de trinta anos. Tenho duas obras em andamento:
Video Portrait Gallery [Galeria de retratos em vídeo] e
The Biography [A biografia], que comecei em 1987 depois de caminhar com Ulay ao longo da Grande Muralha da China. Continuo a editá-las a cada quatro ou cinco anos, à medida que coisas diferentes acontecem na minha vida.
Lynne Cook:
Quem conhece seu trabalho sabe que cada monitor em Video Portrait Gallery serve, em parte, de aide-mémoire, relembrando a performance original mostrada aqui.
Marina Abramovic: Toda vez que olho para obras das décadas de 1970 e 1980 nas exposições de hoje elas me parecem muito tristes. Não é justo que a nova tecnologia tenha uma aparência tão melhor, mais bonita e mais atual: as obras antigas de alguma forma ainda perdem, mesmo que as idéias sejam dez vezes melhores. A minha grande pergunta é: será que o artista tem o direito de atualizar o material do seu passado, colocando-o em um contexto no qual talvez venha a ter uma nova vida?
Lynne Cook: Você incluiu cenas de Cleaning the Mirror [Limpando o espelho] (1995), em que lava ossos de um esqueleto. Pode-se perceber que o excerto que você mostra é a cabeça do esqueleto, e não a sua. Esse crânio fala ao futuro, na vida após a morte…
Marina Abramovic: Exatamente. Mandei minhas medidas para um especialista de uma faculdade de medicina na Alemanha, onde fazem esqueletos. Mesmo que não sejam ossos reais, são, metaforicamente, meu corpo.
Lynne Cook: Você parece pensar muito sobre a morte ultimamente.
Marina Abramovic: Minha mãe e minha tia morreram há exatamente um ano; assim como alguns amigos. Embora seja muito importante para mim, não penso sobre a morte em si, apenas sobre os horrores do funeral. Acho que se deve indicar como queremos ser vistos, eu quero ter controle sobre esse aspecto. Os sofistas diriam que a vida é um sonho, e que a morte é o acordar, mas o percurso entre as duas é muito importante. Como artistas, temos de saber não apenas como devemos viver, mas quando devemos parar de trabalhar e como morrer. Às vezes entramos em pânico porque não estamos produzindo. Talvez haja um momento na vida em que não se deve fazer nada.
Lynne Cook: Embora a maioria dos profissionais – como juízes e cientistas – se aposente quando atinge certa idade, o modelo ideal que culturalmente temos dos artistas é que quando mais velhos experimentam uma explosão final de criatividade – como Beethoven ou Monet. Parece pouco digno de um artista simplesmente decidir se aposentar aos 65 anos.
Marina Abramovic: É uma contradição tão grande. Quaisquer que sejam suas circunstâncias pessoais, a obra do artista tem de conseguir elevar o espírito.
Lynne Cook: Hoje, a imagem do artista como celebridade é ubíqua. Ao criar este auto-retrato ampliado você está deliberadamente brincando com essa expectativa?
Marina Abramovic: Minha geração nunca pensou nesse tipo de coisa: a idéia do artista como ícone começou na década de 1980. Ainda que eu nunca tenha me envolvido nisso antes, é a base para toda a idéia da
Video Portrait Gallery e para a sua continuação.
Lynne Cooke é curadora do Dia Art Foundation desde 1991. Ela recentemente se tornou curadora-chefe do Reina Sofia em Madri.