BIOGRAFIA
Matt Mullican nasceu em Santa Mônica, EUA, 1951. Vive em Nova York
2008 Matt Mullican: A Drawing Translates the Way of Thinking, The Drawing Center, Nova York;
2008 Whitney Biennial
2007 Matt Mullican, Galerie Georg Kargl, Viena; Centre Pompidou, Paris
2006 Matt Mullican, Talking the Talk, Walking the Walk, Mai 36 Galerie, Zurique
Bibliografia Selecionada Matt Mullican: Model Architecture (cat.), Linz, Lentos Kunstmuseum, 2006;
Matt Mullican: That Person’s Workbook, Reino Unido, Ridinghouse and MER, 2006.
ENTREVISTA
Giancarlo Hannud: Certa vez você disse que o projeto que você apresentará na 28ª Bienal de São Paulo – MIT Project [Projeto mit] – “duplica um mundo artificial, da mesma maneira que uma escola o faz”. O que você quis dizer com isso?
Matt Mullican: O
MIT Project que será apresentado na 28ª Bienal não é uma reprodução da peça exibida pela primeira vez em Boston, em 1991. Qualquer coisa pode ser incorporada a ela. Alguns objetos que fazem parte da estrutura são os mesmos da primeira versão da obra, mas outros são do ano passado. Pode-se dizer que o
MIT Project é um mapa, uma maneira de organizar informações. A estrutura tem 1 m de altura; então, pode-se vê-la por cima, além de se entrar nela. Nunca se sabe em que parte os objetos serão incorporados. Não se trata do objeto propriamente dito, mas de como interpretamos o objeto. É uma maneira de catalogar a obra que produzo.
A estrutura lembra um tabuleiro de jogos, algo como um campo de futebol ou uma quadra de basquete. Há cinco áreas básicas. Um lado é verde e trata da materialidade e das propriedades físicas, dos elementos. O outro lado é vermelho e está relacionado à subjetividade e à nossa relação com propriedades físicas. Pode-se dizer que tem a ver com a psique. O azul é o mundo sem estrutura. A parte do meio é amarela e representa o mundo estruturado – é aqui que os objetos se transformam em idéias. Branco e preto são a linguagem.
Giancarlo Hannud: Você tem trabalhado com um conjunto bastante rígido de cores – vermelho, verde, azul, amarelo, preto-e-branco – desde a década de 1970. Por que impor restrições formais tão grandes à sua obra?
Matt Mullican: As coisas ganham seu valor pelo uso. É isso que torna um signo importante – o fato de ele ser usado. Se eu mudasse meu sistema a cada dois anos, ele se desintegraria. Essas cinco cores representam praticamente tudo o que posso criar. Tenho cinco mundos diferentes na minha obra, e cada um é representado por uma cor. Não mudo as cores de forma alguma, elas são infinitas; posso sempre mergulhar nelas, além de serem uma maneira de eu estruturar minha obra. Como estou constantemente trabalhando com abstratos, preciso da solidez de um sistema que funcione como apoio.
Giancarlo Hannud: Ao tentar catalogar e representar simbolicamente tudo o que existe no mundo, você parece estar em sintonia com Diderot e com os encyclopédistes do século XVIII. Qual a razão de se dedicar a um projeto cujo objetivo é nada menos que a organização do mundo, ou da nossa percepção e tradução do mesmo, quando parece de início um fracasso?
Matt Mullican: É a idéia de alguma maneira prender-se ao mundo. A tecnologia está tão difundida hoje que não há possibilidade de ter uma biblioteca abrigando tudo isso. A internet e todas as bibliotecas no mundo não poderiam abrigar toda a informação no mundo, temos de aceitar esse fato. É uma impossibilidade, mas ainda temos desejo de colecionar. Tudo o que se tem a fazer é perguntar a um colecionador de moedas ou de selos. O impulso ainda existe, muito embora represente uma tentativa frustrada se alguém realmente tenta fazê-lo. Minha obra, de certa forma, representa, ou tenta representar, tudo. É mais a idéia do fazer que me interessa, e não da coisa em si. O desejo de colecionar, seja o que for, é muito básico e está longe de ser inútil.
Giancarlo Hannud é historiador da arte e atuou como assistente curatorial da 28ª Bienal de São Paulo. Vive em São Paulo.