BIOGRAFIA
Micol Assaël nasceu em Roma, 1979. Vive em Roma & Moscou
2008 Edicola Notte, Roma;
After Nature, New Museum, Nova York; 16th Biennale of Sydney
2007 Chizhevsky Lessons, Kunsthalle Basel, Suíça
2006 4. berlin biennale
2005 Free Fall in the Vortex of Time, ZERO…, Milão
Bibliografia Selecionada GIONI, Massimiliano, “Micol Assaël”,
Art Review, março, 2008; SZYMCZYK, Adam & COEN, Ester, “Micol Assaël” (cat.) IN:
Chizhevsky Lessons, Basel Kunsthalle, Milão, Electa, 2007; MORGAN, Jessica,
Sempre un pò più lontano (cat.), 51. Biennale di Venezia, Veneza, Marsilio, 2005.
ENTREVISTA
Bartolomeo Pietromarchi: As suas obras, com freqüência, têm um forte caráter projetual e de experiência pessoal. O valor da experiência é bem representado também pelo uso que você faz da energia física, com freqüência, nas obras. Estou me referindo, por exemplo, ao grande projeto que você realizou, em 2007, para a Kunsthalle Basel. Em outras palavras, tenho a impressão de que a preparação, ou o processo que conduz à obra, seja tão importante quanto a formalização final.
Micol Assaël: O trabalho sempre nasce de uma experiência e gera outras, incondicionalmente. Não existem muitas saídas. Acredito que seja fundamental, quando se produz uma obra, deixar espaço para o mundo e para todas as suas incógnitas. Procurar controlar todos os aspectos a priori é um constrangimento e pode causar erros. Cada trabalho tem uma vida independente e nunca se sabe aonde pode levar.
Chizhevsky Lessons [As lições Chizhevsky] nasceu em uma manhã de tramontana, de anos atrás, o sol estava ofuscante e eu estava com uma pessoa que falava um idioma eslavo. Quando nos cumprimentamos, o encontro dos nossos corpos produziu uma descarga de eletricidade estática, sob a forma de centelha. Naquele período, eu usava transformadores elétricos para gerar centelhas e achei extraordinário que duas pessoas pudessem produzir o mesmo fenômeno de modo natural. Foram necessários alguns anos, mas, por fim, encontrei alguns engenheiros na Rússia que não sentiam medo da idéia de trabalhar com tensões altíssimas e que aceitaram fazer experiências em laboratório para reproduzir o efeito da centelha eletrostática. Passados meses de testes e cálculos, conseguimos criar um ambiente saturado de tensão elétrica e de luz, onde as pessoas, ao se encontrarem, conseguiam produzir microdescargas.
Bartolomeo Pietromarchi: Tenho a impressão de que outro aspecto importante seja a colaboração com outras disciplinas que, de vez em quando, você escolhe com base no projeto que esteja realizando (físicos, matemáticos, músicos, performers) assim como a importância do local e do contexto em que se realiza a obra.
Micol Assaël: O encontro com especialistas em outras disciplinas pode revelar possibilidades escondidas que, de outro modo, permaneceriam implícitas no trabalho. É sempre estimulante fazer confluir energias de pontos de vista diferentes. Acredito que seja um dos melhores instrumentos que tenho à disposição para sugerir leituras e interpretações inéditas da obra, explorando novos territórios. É um modo de dar vida ao trabalho e de evitar que seja auto-referencial. Em outros casos, é suficiente o diálogo entre o espaço que hospeda a obra e a própria obra. Essa relação com o espaço é sempre indispensável. Na maior parte dos casos, é ele que dita as regras do jogo.
Bartolomeo Pietromarchi: As suas obras envolvem o espectador em uma dimensão fortemente física e emotiva, com estratégias que podem adotar o elemento do perigo, da invisibilidade, da perturbação ou do extremo. Tenho a impressão de que a natureza crítica e opositiva da sua obra declare a inadequação do homem contemporâneo, do ser no mundo, uma suspensão necessária para refletir até o fundo sobre os próprios limites, por meio da experiência estética.
Micol Assaël: As minhas obras nascem de intuições que, depois, são metabolizadas com os instrumentos que, de vez em quando, tenho à disposição. Procuro pôr o espectador em condições de provar uma experiência capaz de modificar a própria visão do mundo e de fazê-lo reagir. As situações de risco são aquelas que, com maior facilidade, põem em moto uma reação em quem as encontra.
Não sei ainda quanto seja o caso de falar de inadequação do homem contemporâneo, ou melhor, creio que fazer a experiência de alguma coisa seja sempre uma ocasião para se perder e se achar de novo.
Bartolomeo Pietromarchi é curador do maxxi, o Museo Nazionale per le Arti del XXI Secolo em Roma.