BIOGRAFIA
Mircea Cantor nasceu em Oradea, Romênia, 1977.
2008 The need for uncertainty, Modern Art Oxford; Arnolfini, Bristol ; e Camden Arts Centre, Londres
2007 Ciel Variable, Fonds Régional d´Art Contemporain Champagne Ardennes – FRAC, França;
Airs de Paris, Centre Pompidou, Paris
2006 The title is the last thing, Philadelphia Museum of Art, EUA
2006 4. berlin biennale
Bibliografia Selecionada GOPNIK, Blake, “The Idea: Predator, Prey, Provocative”,
Washington Post, 28 de outubro, 2007; LEQUEUX, Emanuelle, “Un Autre Monde est Possible – Portrait”,
Beaux Arts Magazine, no. 275, maio, 2007, pp.108 ; RABOTTINI, Alessando, “A future world”,
Flash Art, no 251, Novembro-dezembro, 2006.
ENTREVISTA
Bartolomeo Gelpi: Na introdução ao seu livro, lemos que você vem “de um mundo de imagens, fotografia, design gráfico e vídeo….”*. Desde 2005, você tem criado obras em que a manipulação do material evoca a presença do indivíduo. Como isso contribuiu para sua obra?
Mircea Cantor: Minha necessidade é o que pede a idéia, não o material. Meu trabalho com imagens não é acidental, e decidi fazer um tapete. Tudo é subordinado à Idéia. Não tento dissecar minha obra dessa maneira.
Bartolomeo Gelpi: Há uma grande ironia em transformar um símbolo cristão voador e uma moderna máquina voadora no motivo para um tapete voador. No entanto, quando penso que este tapete foi feito por tecelãs romenas, essa ironia é parcialmente dissolvida. Talvez porque há um confronto técnico e objetivo ao se tratar desses elementos ou porque a evocação deste grupo de senhoras em particular confere um tratamento mais afetivo ao objeto…
Mircea Cantor: A história por trás disso tudo não é tão importante. Sabemos que tradicionalmente as senhoras tecem tapetes, no entanto, mais importante que isso é o tipo de tensão que se pode alcançar. Todos sabemos sobre anjos, mesmo não sendo cristãos; todos já ouvimos histórias árabes, mas não sabemos por que esses três elementos estão no mesmo lugar e tempo. Como vivemos em um mundo simultâneo, onde vários itens convergem para o mesmo lugar e ao mesmo tempo, há um espaço para uma rica tensão que pode conduzir a uma visão nova. Trata-se de uma obra polarizada, sobre o visível e o invisível. E pode ser que não saibamos escolher qual deles é o bom.
Bartolomeo Gelpi: Certa vez você disse: “Acredito que seja mais importante estabelecer relações com o que fiz no passado do que satisfazer a equação nova exposição = novas obras”**. Por que você escolheu About Angels and Airplanes [Sobre anjos e aviões] para sua apresentação no pavilhão modernista da Bienal de São Paulo?
Mircea Cantor: Acho que é a peça perfeita, no momento perfeito, no lugar perfeito. Trabalho muito seguindo minha intuição. Consciente do contexto do modernismo e do conceito da 28ª Bienal de São Paulo, as perguntas que eu faria seriam: O que é tradição? Qual é a tradição do artesanato da espécie humana? Qual é a linha vermelha que nos liga ao passado, que se estende do passado, passa pelo presente e segue para o futuro? Ao mesmo tempo, estou interessado na sensação da surpresa: O que faz um tapete voador aqui e como veio parar aqui? Veio voando por cima do oceano para chegar até aqui?
Bartolomeo Gelpi: Na mesma entrevista, você afirmou: “A arte do Leste Europeu chega a um ponto-chave, à medida que adentra o território da arte ocidental”. E mais adiante: “Quando recorro a certos temas da minha cultura não quero exportar dor, mas enfatizar o fato de que o que ocorreu lá – e ainda ocorre em outros lugares – pode ser descrito como parte da língua universal”. Como o Brasil parece vivenciar um momento-chave semelhante, como você vê a contribuição da arte brasileira para essa língua universal?
Mircea Cantor: Não sei. Estou no Brasil há poucos dias, e não conheço ainda o sorriso das pessoas. A intuição é a chave para esta língua universal. Estamos todos conectados por diferentes sistemas de valores – materiais ou não –, mas o que nos une? Não creio que seja a globalização, mas algo que vai além. Acredito que por trás da arte brasileira – ou de qualquer arte nacional específica – haja algo que não tenha nada a ver com o contexto geonacional. E esse pode ser o ponto de partida.
* QUINTIN, Françoise; MIRCAN, Mihnea; GROGORESCU, Ion.
Mircea Cantor. Champagne-Ardenne: frac, 2007.
** ROBOTTINI, Alessandro.
Flash Art, Nov-Dez, 2006.
Bartolomeo Gelpi é pintor, formado em Artes Plásticas pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), e atuou como assistente curatorial da 28ª Bienal de São Paulo.