BIOGRAFIA
Nicolás Robbio nasceu em Mar del Plata, Argentina, 1975. Vive em São Paulo
2008 Por Puntos, Galería Nueveochenta, Bogotá, Colômbia;
Reação em Cadeia, Centro Cultural São Paulo;
Gabinete de desenhos, Museu de Arte Moderna de São Paulo – MAM-SP
2007 Bethanien Kunsthaus, Berlim
2006 Geração da Virada – 10 + 1: os anos recentes da arte brasileira, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo
2005 Maio, Galeria Vermelho, São Paulo
Bibliografia Selecionada Ice Cream: Contemporary Art in Culture – 10 curators, 100 contemporary Artists, 10 source Artists, Londres, Phaidon, 2007; PEDROSA, Adriano (org.),
Desenhos [drawings]: A-Z, Lisboa, Madeira Corporate Services, 2006; RIBEIRO, José Augusto, “Nicolás Robbio – Maio Galeria Vermelho”,
Revista Art Nexus, São Paulo, maio, 2005.
ENTREVISTA
Luisa Duarte: Quais são os seus planos para a 28ª Bienal de São Paulo?
Nicolás Robbio: Eu irei trabalhar no jornal que será distribuído semanalmente para o público durante a 28ª Bienal. A cada semana haverá um novo trabalho.
Luisa Duarte: Por que você escolheu trabalhar no jornal?
Nicolás Robbio: Escolhi utilizar o sistema mais simples para fazer o meu trabalho. Não quero negociar nada neste momento. Me cansa toda esta negociação de espaço, orçamento, suas idas e vindas. Meu trabalho ocorre em função do que se tem. E eu não gosto de trabalhar com uma coisa que se tem hoje, mas daqui a dois dias pode não se ter mais. Não precisa ser muito grande, nem ter muito dinheiro, mas preciso saber o que tenho. São dois rolos de papel higiênico e uma caneta. Ok, vamos em frente. Pode ser um Boeing 737 ou um aviãozinho de papel. Eu me adapto a todas as condições, mas não a de um dia ser assim e no outro, diferente. Não consigo.
Luisa Duarte: Você busca, então, no jornal, se afastar de toda essa engrenagem e ter uma maior autonomia?
Nicolás Robbio: Exato. E lá a minha idéia é trabalhar com estruturas. Estruturas existentes que servem para uma coisa e a partir delas você pode construir muitas outras. Com as mesmas estruturas de desenho, criar sistemas diferentes. Um desenho como o de um campo de futebol é criado pela união dos pontos nas intercessões das linhas. Posso, com essa mesma estrutura, criar um banco. Eu tenho trabalhado algum tempo com esta idéia.
Crio uma primeira estrutura, um ponto de partida, que me dá a chance de criar diversos outros sistemas com a mesma estrutura. O elemento estrutural conecta sistemas muito diferentes. A situação é esta, crio uma estrutura, e dali posso ir para onde eu quiser. Com um mesmo ponto de partida posso desbravar diversos caminhos.
Luisa Duarte: Ocorre-me que podemos extrapolar este pensamento para a vida de uma forma mais geral, no que tange à busca por driblarmos estruturas já existentes em favor de outras mais livres. Uma mesma estrutura, que por vezes parece engessada, guarda a possibilidade de se desdobrar em outras conformações que pareciam insuspeitas.
Nicolás Robbio: Claro. Podemos derivar este pensamento para vida, minha, sua, de qualquer pessoa.
Esta questão do ponto de partida começa num trabalho que fiz em Cuba há alguns anos. Há sempre um ponto de partida sendo lançado em uma cidade onde você nunca esteve. Não existe nem para trás, nem para a frente. Há um ponto de partida. Claro que sou a mesma pessoa, com uma história, mas a questão é como eu encaro, com esta mesma estrutura, um sistema novo. Você não tem o mesmo clima, as mesmas localizações, a mesma língua. Você se vê impelido a construir um novo sistema com a mesma estrutura. Você é obrigado a reformular o sistema. A idéia de trabalhar no jornal da 28ª Bienal me traz a possibilidade de traçar essas equações. São equações muito simples que guardam pontos de partida em comum. Eu posso, por exemplo, criar uma estrutura com a qual o público possa criar por si próprio os seus sistemas em outro espaço que não o jornal.
Luisa Duarte: Há um traço de esperança neste pensamento, não?
Nicolás Robbio: Sim. Muitas vezes descartamos uma estrutura porque parece que ela não dá certo. E aí vamos fazer tudo de novo, do zero. Calma, talvez possamos fazer outras coisas com as estruturas que estão aí. A Bienal é uma estrutura que funciona, ela serve, podemos é pensar um outro sistema para a Bienal, diferente do que se pensou até agora. Como mudar as estruturas não deve ser o alvo principal, mas sim os sistemas de uso dessas estruturas. Deve-se tentar criar sistemas alternativos para o uso dessas mesmas estruturas. Todos têm certas estruturas estáticas. A gravidade, nós não vamos sair voando desta sala. Mas todos nós podemos criar novos sistemas, cotidianamente, para habitar essas mesmas estruturas.
Luisa Duarte é crítica de arte, curadora independente e professora do curso de Artes Visuais da Faculdade Santa Marcelina de São Paulo. Vive em São Paulo.