BIOGRAFIA
Paul Ramírez Jonas nasceu em Honduras, 1965. Vive em Nova York.
2009 The Quick and the Dead, Walker Art Center, Minneapolis, EUA
2008 /
Create As I Speak, The Aldrich Contemporary Art Museum, Ridgefield, EUA
2007 ABRACADABRA, The Jack S. Blanton Museum of Art, Austin, EUA
2006 6th Shanghai Biennale
2005 inSite_05, San Diego, EUA & Tijuana, México
2004 Heavier than Air, Ikon Gallery, Birmingham, Inglaterra
Bibliografia Selecionada CUY, Sofia Hernandez Chong (ed.),
Paul Ramirez Jonas, Manchester, Cornerhouse Publications, 2004; HEARTNEY, Eleanor,
Art & Today, Nova York, Phaidon Press, 2008; SÁNCHEZ, Osvaldo & CONWELL, Donna (eds.),
[Situational] Public> Público [situacional]. inSite_05/ Art Practices in the Public Domain San Diego-Tijuana, San Diego, Installation Gallery, 2006.
ENTREVISTA
Santiago García Navarro: Como é a relação entre autor e leitor em sua obra?
Paul Ramírez Jonas: Reconhecendo minha dívida com Jorge Luis Borges, entendo que ler é mais criativo que escrever, que o leitor é mais criativo que o autor. Quase todas as minhas obras começam com um texto preexistente. Utilizo esse texto como uma partitura para uma ação, um objeto ou qualquer forma de obra. Considero a palavra “texto” em sua concepção mais ampla e aberta possível. Assim, ele pode ser uma trilha, como uma composição musical, ou planos de um objeto tecnológico, um diário, uma obra de teatro, um mapa, enfim, qualquer rastro cultural que se possa seguir ou interpretar de maneira parecida com a que o músico utiliza uma partitura. O que me interessa é a tensão entre a originalidade de um autor e a originalidade de um intérprete. Interessa-me o texto que não consegue ser arte sem a participação do leitor.
Santiago García Navarro: Como essa dinâmica foi variando?
Paul Ramírez Jonas: No passado, o enfoque da minha obra era quase que exclusivamente na minha pessoa. Eu era o leitor. Eu era o pesquisador, o explorador, aquele que exercitava atos de cor (pois grande parte dessa dinâmica está no fato de o texto preexistir, ser passado; o leitor e a leitura são o presente). Há cinco anos, momento em que fiz duas obras utilizando chaves, comecei a pensar mais no público. Se sou somente um leitor e o público é um público de leitores (em vez de autores), será que não tenho mais em comum com o público do que com o autor? Mas ser leitor é ambíguo… Por um lado, um público leitor implica um público ativo. Mas, por outro, o leitor é também passivo, um tanto preguiçoso, porque ainda não é um público autor, gênio, criador, revolucionário. O ideal, para mim, é esse terreno vago, onde apatia e atividade se mesclam.
Santiago García Navarro: Por que somente explorar esse “terreno vago” e não lhe dar certo direcionamento?
Paul Ramírez Jonas: Eu queria criar um intercâmbio com o público: é preciso dar para receber. Mas queria pedir muito pouco, o mínimo: um centavo, sua voz, que caminhasse ao meu lado por um minuto… quase nada. Queria que o intercâmbio tivesse algum significado se você se envolvesse, mas também se você fosse passivo. Do meu ponto de vista, para chegar a esse estágio devia-se exigir muito pouco do público, tão pouco que seria possível sentir que o que separa a participação da não-participação está em cada indivíduo. O único obstáculo é interno.
Santiago García Navarro: Que noção do público e do privado Talismán põe em jogo?
Paul Ramírez Jonas: A obra aborda o fato de não ser nem pessimista, nem otimista. Baseia-se no intercâmbio dos gestos, que no final não são mais do que simbólicos. No primeiro gesto, o público da 28ª Bienal de São Paulo pode receber uma cópia da chave da porta do Pavilhão Ciccillo Matarazzo. Embora pareça uma transgressão, é somente a devolução de um espaço público ao seu público. O segundo gesto se baseia na transgressão do espaço privado. O público troca uma cópia de uma chave sua pela chave do pavilhão. Mas os dois gestos são negados, pois embora os dois campos tenham chaves reais, a possessão dessas chaves não subverte nenhum dos espaços. A Bienal não pode abrir os espaços das chaves privadas, pois não há vestígios de seus donos. E o público ainda tem de respeitar os regulamentos, os seguranças, os acessos e as normas sociais que regem o espaço público do pavilhão. Conseqüentemente, a pergunta que proponho é: onde se pode criar uma esfera pública?
Santiago García Navarro é escritor, tradutor e crítico de arte. Vive em Buenos Aires.