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Participantes
Rubens Mano
Artistas
CONTEMPLAÇÃO SUSPENSA, 2008. Instalação: vídeo e estrutura de madeira, ferro, cabos de aço, e cordas de nylon. Vídeo: 30 min em loop.

CONTEMPLAÇÃO SUSPENSA, 2008. Instalação: vídeo e estrutura de madeira, ferro, cabos de aço, e cordas de nylon. Vídeo: 30 min em loop.   (Imagem: Renato Cury. Edição: José Francisco Neto. )

DETETOR DE AUSÊNCIAS, 1994. Instalação.

DETETOR DE AUSÊNCIAS, 1994. Instalação.   (Rubens Mano)

BIOGRAFIA

Rubens Mano nasceu em São Paulo, 1960. Vive em São Paulo 2008 Contemplação suspensa, Projeto Octógono, Pinacoteca do Estado de São Paulo; Espaços Reversíveis, Museu Cruz e Souza, Florianópolis, Brasil 2006 Espaço Aberto/ Espaço Fechado: Sites for sculpture in modern Brazil, Henry Moore Institute, Leeds, Inglaterra 2005 Permeáveis, Museu Victor Meirelles, Florianópolis 2004 Tudo entre nós, Galeria Casa Triângulo, São Paulo; 14th Biennale Of Sydney Bibliografia Selecionada GARBELOTTI, Raquel, “Informal encounter” IN: Reason and Emotion (cat.), Sidney, Biennale of Sydney, 2004, pp. 142-145; GARCIA DOS SANTOS, Laymert, “Un arte del espacio y de su producción” IN: Parangolé: Fragmentos desde los 90 en Brasil, Portugal y España, Valladolid, Museo Patio Herreriano de Arte Contemporáneo Español, 2008, pp. 276-281; MANO, Rubens, “Um lugar dentro do lugar”, Urbânia nº 3, Editora Pressa, São Paulo, 2008, pp. 101-111.
ENTREVISTA

Maria Lind: Um aspecto interessante da sua obra é como você aborda infra-estruturas já existentes. Como elas serão incorporadas à sua obra para a 28ª Bienal de São Paulo?

Rubens Mano: Desde o início, pensei que o lugar onde será instalado o trabalho – que consiste em uma projeção de vídeo e o espaço construído para sua exibição – deveria aparecer como elemento anexado e ao mesmo tempo “independente” da estrutura institucional. O vídeo mostra imagens noturnas de São Paulo, sem vestígios da presença humana nas ruas da cidade, então concebi o espaço onde estará projetado como o lugar de sua construção simbólica. As imagens nos oferecem parte da realidade visível de uma metrópole latino-americana (ruas, edificações, traços de urbanização…), subtraída da ação definidora de seu significado (o movimento de seus agentes). Assim, da mesma maneira que o vídeo apresenta a condição urbana em estado de suspensão, ele também comenta a distância e a exterioridade de quem as vê.

Maria Lind: O que você acha da Bienal e do prédio que a abriga em relação à estrutura urbana específica de São Paulo?

Rubens Mano: É curiosa a relação entre as proposições da Bienal (um espaço de reflexão e difusão da arte contemporânea) e o fato de até hoje ela estar encerrada quase que exclusivamente no edifício projetado por Oscar Niemeyer. Em certa medida, para mim, é como se aproximássemos a crise enfrentada pela instituição à crise representada por esse modelo de arquitetura. Quando passou a ser realizada no Pavilhão das Indústrias*, em 1957, a Bienal de São Paulo sinalizava também a intenção de se alinhar a uma discussão sobre as correspondências entre as distintas manifestações na área da cultura. E a transferência da mostra para o Parque do Ibirapuera, um dos principais marcos da arquitetura moderna em São Paulo, só enfatizou tais ambições. Depois de um bom tempo, a discussão ao redor das artes visuais se instalou mais decididamente no interior da trama social da cidade, apontando para a importância e a necessidade da ressignificação de outros espaços urbanos, ao contrário do movimento geral manifestado por “nossa” arquitetura. Minha abordagem aqui considera então se esse edifício, marcado por muitos regramentos arquitetônicos e entraves “patrimoniais”, deveria seguir como o único local reservado para a manifestação da Bienal. Não creio estar em xeque o simbolismo de sua morada, ou a contundência da arquitetura que a abriga. Porém, é importante considerarmos que, se a discussão sobre o futuro dessa mostra pretende se dar de forma mais incisiva e transformadora, seus desdobramentos não podem ficar alheios ao fato de ela se realizar em um local tão cheio de restrições e impedimentos para certas ações da arte. A reflexão provocada e iniciada nesta edição da Bienal me parece uma grande chance para sairmos da posição de mera constatação das contingências desse espaço expositivo e encamparmos a decisão de estabelecer outra relação espacial com a cidade.

Maria Lind: Como isso se relaciona com suas apresentações mais recentes?

Rubens Mano: Um dos principais aspectos do meu projeto diz respeito à maneira pela qual as ações incorporam as várias instâncias constitutivas do lugar para o qual foram pensadas. Decorre daí que esse tipo de proposição costuma provocar uma espécie de fricção (funcional, conceitual, operacional…) entre o processo de realização do trabalho e o local de sua aparição. Neste sentido, a questão proposta para a Bienal identifica um terreno muito próximo ao de outros trabalhos realizados este ano, como Espaços reversíveis, no Museu Histórico de Santa Catarina, no Palácio Cruz e Souza, e Contemplação suspensa, na Pinacoteca do Estado de São Paulo, pois, assim como eles, também aponta para uma discussão sobre os limites presentes na mediação entre o artista e a instituição.

* Nome original do pavilhão que abriga a Bienal de São Paulo.


Maria Lind é curadora e diretora do programa de graduação do Center for Curatorial Studies, Bard College – Annandale-on-Hudson.

PROJETOS - 28ª BIENAL DE SÃO PAULO

Conteúdo atualizado Projetos com conteúdo atualizado

Está tudo bem
2008 , Praça - Térreo

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