BIOGRAFIA
Rubens Mano nasceu em São Paulo, 1960. Vive em São Paulo
2008 Contemplação suspensa, Projeto Octógono, Pinacoteca do Estado de São Paulo;
Espaços Reversíveis, Museu Cruz e Souza, Florianópolis, Brasil
2006 Espaço Aberto/ Espaço Fechado: Sites for sculpture in modern Brazil, Henry Moore Institute, Leeds, Inglaterra
2005 Permeáveis, Museu Victor Meirelles, Florianópolis
2004 Tudo entre nós, Galeria Casa Triângulo, São Paulo; 14th Biennale Of Sydney
Bibliografia Selecionada GARBELOTTI, Raquel, “Informal encounter” IN:
Reason and Emotion (cat.), Sidney, Biennale of Sydney, 2004, pp. 142-145; GARCIA DOS SANTOS, Laymert, “Un arte del espacio y de su producción” IN:
Parangolé: Fragmentos desde los 90 en Brasil, Portugal y España, Valladolid, Museo Patio Herreriano de Arte Contemporáneo Español, 2008, pp. 276-281; MANO, Rubens, “Um lugar dentro do lugar”,
Urbânia nº 3, Editora Pressa, São Paulo, 2008, pp. 101-111.
ENTREVISTA
Maria Lind: Um aspecto interessante da sua obra é como você aborda infra-estruturas já existentes. Como elas serão incorporadas à sua obra para a 28ª Bienal de São Paulo?
Rubens Mano: Desde o início, pensei que o lugar onde será instalado o trabalho – que consiste em uma projeção de vídeo e o espaço construído para sua exibição – deveria aparecer como elemento anexado e ao mesmo tempo “independente” da estrutura institucional. O vídeo mostra imagens noturnas de São Paulo, sem vestígios da presença humana nas ruas da cidade, então concebi o espaço onde estará projetado como o lugar de sua construção simbólica. As imagens nos oferecem parte da realidade visível de uma metrópole latino-americana (ruas, edificações, traços de urbanização…), subtraída da ação definidora de seu significado (o movimento de seus agentes). Assim, da mesma maneira que o vídeo apresenta a condição urbana em estado de suspensão, ele também comenta a distância e a exterioridade de quem as vê.
Maria Lind: O que você acha da Bienal e do prédio que a abriga em relação à estrutura urbana específica de São Paulo?
Rubens Mano: É curiosa a relação entre as proposições da Bienal (um espaço de reflexão e difusão da arte contemporânea) e o fato de até hoje ela estar encerrada quase que exclusivamente no edifício projetado por Oscar Niemeyer. Em certa medida, para mim, é como se aproximássemos a crise enfrentada pela instituição à crise representada por esse modelo de arquitetura. Quando passou a ser realizada no Pavilhão das Indústrias*, em 1957, a Bienal de São Paulo sinalizava também a intenção de se alinhar a uma discussão sobre as correspondências entre as distintas manifestações na área da cultura. E a transferência da mostra para o Parque do Ibirapuera, um dos principais marcos da arquitetura moderna em São Paulo, só enfatizou tais ambições. Depois de um bom tempo, a discussão ao redor das artes visuais se instalou mais decididamente no interior da trama social da cidade, apontando para a importância e a necessidade da ressignificação de outros espaços urbanos, ao contrário do movimento geral manifestado por “nossa” arquitetura. Minha abordagem aqui considera então se esse edifício, marcado por muitos regramentos arquitetônicos e entraves “patrimoniais”, deveria seguir como o único local reservado para a manifestação da Bienal. Não creio estar em xeque o simbolismo de sua morada, ou a contundência da arquitetura que a abriga. Porém, é importante considerarmos que, se a discussão sobre o futuro dessa mostra pretende se dar de forma mais incisiva e transformadora, seus desdobramentos não podem ficar alheios ao fato de ela se realizar em um local tão cheio de restrições e impedimentos para certas ações da arte. A reflexão provocada e iniciada nesta edição da Bienal me parece uma grande chance para sairmos da posição de mera constatação das contingências desse espaço expositivo e encamparmos a decisão de estabelecer outra relação espacial com a cidade.
Maria Lind: Como isso se relaciona com suas apresentações mais recentes?
Rubens Mano: Um dos principais aspectos do meu projeto diz respeito à maneira pela qual as ações incorporam as várias instâncias constitutivas do lugar para o qual foram pensadas. Decorre daí que esse tipo de proposição costuma provocar uma espécie de fricção (funcional, conceitual, operacional…) entre o processo de realização do trabalho e o local de sua aparição. Neste sentido, a questão proposta para a Bienal identifica um terreno muito próximo ao de outros trabalhos realizados este ano, como
Espaços reversíveis, no Museu Histórico de Santa Catarina, no Palácio Cruz e Souza, e
Contemplação suspensa, na Pinacoteca do Estado de São Paulo, pois, assim como eles, também aponta para uma discussão sobre os limites presentes na mediação entre o artista e a instituição.
* Nome original do pavilhão que abriga a Bienal de São Paulo.
Maria Lind é curadora e diretora do programa de graduação do Center for Curatorial Studies, Bard College – Annandale-on-Hudson.