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Sarnath Banerjee
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DISPATCHES FROM THE CITY OF NO U-TURNS [Despachos da cidade sem retorno], 2008. Caneta, tinta, fotografia, impressões digitais em papel. 44 x 32 cm cada. Encomendado pela 28ª Bienal de São Paulo.

DISPATCHES FROM THE CITY OF NO U-TURNS [Despachos da cidade sem retorno], 2008. Caneta, tinta, fotografia, impressões digitais em papel. 44 x 32 cm cada. Encomendado pela 28ª Bienal de São Paulo.   (Sarnath Banerjee)

DISPATCHES FROM THE CITY OF NO U-TURNS [Despachos da cidade sem retorno], 2008. Caneta, tinta, fotografia, impressões digitais em papel. 44 x 32 cm cada. Encomendado pela 28ª Bienal de São Paulo.

DISPATCHES FROM THE CITY OF NO U-TURNS [Despachos da cidade sem retorno], 2008. Caneta, tinta, fotografia, impressões digitais em papel. 44 x 32 cm cada. Encomendado pela 28ª Bienal de São Paulo.   (Sarnath Banerjee)

BIOGRAFIA

Sarnath Banerjee nasceu em Calcutá, Índia 1972. Vive em Nova Deli 2006 Fondazione Sandretto de Rebaudengo, Turim; IFA Gallery Stuttgart, Alemanha 2005 IFA Gallery Berlin 2003 Comica, Institute of Contemporary Arts, Londres; Response/ ability, Oxo Tower, Barge House, Londres Histórias em Quadrinhos Corridor, Índia & Reino Unido, Penguin, 2005; Barn Owl’s Wondrous Capers, Índia & Reino Unido, Penguin, 2007.
ENTREVISTA

Giancarlo Hannud: Seu projeto para a 28ª Bienal de São Paulo parece distanciar-se de seus trabalhos anteriores que estiveram inseridos na tradição da história em quadrinhos. Como você vê esse projeto em relação à sua prática anterior?

Sarnath Banerjee: Cheguei à linguagem dos quadrinhos depois de muita tentativa e erro, e passei a acreditar que possivelmente seja a melhor maneira de comunicar idéias, narrar incidentes e fazer com que tempo, lugar e ambiente façam sentido. Além disso, é a maneira mais agradável de se tratar a natureza complexa das histórias que estão surgindo em nossa sociedade.

No entanto, surpreendi-me questionando como os quadrinhos contemporâneos são criados. Com raras exceções dos experimentos de romancistas gráficos brilhantes, a maioria dos criadores de quadrinhos segue tradições estabelecidas, o que de tempos em tempos leva as pessoas a achar que os quadrinhos são mais gênero do que forma.

Depois de escrever duas obras de ficção, eu comecei a me cansar da minha voz autoral. Além disso, recentemente li muitos romances literários vazios e indulgentes consigo mesmos. Na minha terra natal, cada vez mais os fatos – se bem organizados e tratados com ironia e capricho – podem fazer surgir narrativas mais pertinentes do que as construídas por um desenho. Minha formação de cineasta de documentários me ajudou no processo de coleta de fatos, o que, em si, é muito gratificante. Tudo isso se soma.

Giancarlo Hannud: Sem dúvida, o desenho pode enfatizar ou excluir certos aspectos da realidade, e assim destilar para qualquer que seja nosso propósito. Como você vê o exercício de um jornalismo objetivo e sem envolvimento se trabalha com um meio essencialmente subjetivo?

Sarnath Banerjee: Acho que o jornalismo é bem menos objetivo do que as pessoas imaginam. Vieses invisíveis do repórter – pessoais e políticos – estão onipresentes em cada matéria. A edição, por exemplo, pode mudar completamente a ênfase de uma matéria. A busca da verdade autêntica é maior no âmbito do fundamentalismo religioso do que no jornalismo. Na melhor das hipóteses, o jornalismo deveria complicar a verdade.

Na reportagem gráfica, a aparência externa de uma verdade profundamente imbricada no enorme volume de informação pode ser revelada com economia de palavras e imagens criteriosas. Equivocadamente, as ilustrações conferem um teor subjetivo à narrativa, e essa dissimulação pode gerar resultados surpreendentes.

Giancarlo Hannud: Pode-se dizer que o vocabulário utilizado pelas tiras em quadrinhos e pelas histórias em quadrinhos exige um envolvimento extremamente sofisticado do leitor para que a obra realmente aconteça. Se quiser criar um nível satisfatório de significado, o leitor/a leitora deverá lidar não somente com imagens, texto e layout, mas deverá fundir esses três elementos para criar um todo inteligível. Como você acredita que esse esforço conjunto entre leitor e autor influencia as qualidades subversivas das histórias em quadrinhos?

Sarnath Banerjee: A história em quadrinhos exige muita participação: como um tango entre o autor e o leitor, quase como ler um mapa – o leitor tem de encontrar um sentido. Há uma narrativa fantasma além de cada painel ou página, o que a torna complexa, mas não complicada. Acredito que a subversão surge não somente da narrativa das histórias em quadrinhos, mas dos múltiplos níveis em que a história opera. Nos melhores casos, as imagens não ilustram o texto, mas mantêm uma lógica própria e, quando reunidas, criam significados que nem o texto nem a imagem conseguem alcançar sozinhos.


Giancarlo Hannud é historiador da arte e atuou como assistente curatorial da 28ª Bienal de São Paulo. Vive em São Paulo.
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